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Cada vez menos tenho paciência para escrever – pois o que me inspira já foi por mim transformado em texto e não quero começar a me citar. Quem se justifica sobre qualquer coisa usando a frase “eu acho que todo mundo sente isso” me causa horror. Quem repete a exaustão a última piada da internet me cansa. Quem acha que ser antipático e mal-educado é sinal de maturidade deve estar certo – eu é que como de costume estou errado. Estou acostumado a pessoas que tentam ser felizes, que abraçam as oportunidades e que sorriem quando chegam a uma festa – mesmo não sendo eu exatamente assim. Geralmente eu abuso do escárnio para depreciá-las – no meu mundinho pequenino, onde sou um ditador esquizofrênico.

Mas não é tudo que me incomoda.

São pequenas coisas.

Descobri que a melodia que está na minha cabeça há três semanas também ecoa na dela. O que me incomoda é a sincronicidade. A minha obssessão da semana me usa, e como. Aliás, não como. Estou na minha primeira relação sado-masoquista em que não sou o dominador. Ela sabe me manipular, tem tudo o que quer e eu estou indefeso. Tenho tido sonhos horrivelmente prazeirosos e calmos, e ainda assim a insônia está me tira o sono. Mas no fundo eu gosto, ou melhor, eu prefiro assim. Ao menos ainda sei que estou vivo.