20 segundos.

Eu sentei a mesa de ferro frio em que ela estava me esperando por alguns minutos. As paredes todas brancas, revestida de umas placas furadinhas. Tinha um espelho e uma porta, fechada. Eu disse a ela: O teste é muito simples. Eu ligo o cronometro agora, neste momento. E daqui a pouco eu te pergunto quanto tempo você acha que passou. Simples assim.
Ela sorriu sem graça e ensaiou uma frase, imediatamente interrompida por mim, propositalmente. Eu disse: Não se preocupe, já já você vai embora. Quanto tempo você acha que passou desde o instante em que eu pressionei o cronometro?
- Sei lá… hmm 20 segundos?
- Não. 6, agora.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, e ela se sentiu meio culpada por errar. Logo, ficou constrangida pelo silencio, olhou para baixo, tocou a mesa com as unhas mal pintadas e voltou a levantar a cabeça. Meu olhar continuava fixo, e eu não dizia nada. Ela abriu a boca, mas não falou nada. Haviam se passado mais 20 segundos.
- E agora, quanto tempo você acha que passou desde aquele instante?
- Er… amm.. 1 minuto?
Eu não respondi de imediato. Continuei olhando sério.
- Não? Mais? Dois minutos?
- Agora 31 segundos. Você está acelerada menina. – Disse eu calmamente.
Ela queria falar, mas não conseguia. Ficou tensa. Abaixou os olhos várias vezes, mexeu no cabelo. Sorriu sem graça. Levantou o rosto como quem ia se explicar e foi parada pelos meus olhos estáticos e atentos.

Passam, desde esse último momento, mais 20 segundos de silêncio.
- Você pode me dizer agora quanto tempo você acha que passou desde a hora em que eu apertei o botão?
- Ai… n… não sei. Acho que 7 minutos. 6… 6 minutos.

Eu apertei o botão que para a contagem. Marcava 00’01’37. Eu levantei e disse: Você está errada. E saí da sala pela porta, deixando-a escancarada. Ela me viu saindo e não se mexeu. Depois, deitou a cabeça sobre os braços cruxados e chorou.