Archive for March, 2006

De volta ao Balneário Surrealista

Volto para onde ignoramos mendigos
Volto para noites que maltratam meus ouvidos,
minha inteligência e minhas glandulas sudoríparas!
E como Prometeu, terei meu fígado dilacerado
noite após noite, não por pássaros,
mas por panteras que me trazem vodka.
Volto para o Balneário Surrealista,
Volto para dias que nunca terminam,
nunca começam e nunca são esquecidos.
E como prometestes, terei meu coração rasgado,
dia após dia, não por amores,
mas pela falta deles.

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¿Como estás, señorita Celeste?

A minha avó me ensinou muito. Ela nunca deixou que eu percebesse que ela estava me ensinando, mas ensinou. Quando ela se foi eu não estava em casa. Não soube, não me despedi. Penso nela todo dia, e sempre que eu preciso de alguma coisa tenho a impressão de sentir o cheiro dela, me abraçando e me guiando. Ela se foi e por meses eu sentia um impulso de perguntar a minha tia, sua irmã, como estava a minha avó. Uma vez a frase começou a ser dita, e eu lacrimejei secretamente. Eu não esquecia que ela tinha morrido, apenas achava que a minha tia podia responder. Agora ela vai poder - mas eu não tenho a quem perguntar como vão as duas.

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