Archive for May, 2006
Sobre a diceminação dos meus genes neste mundo.
Não canto mulheres em boates. Não tanto pelo medo do fora, meu problema é o possível sentimento de me sentir mais um medíocre - e isso me mata. Acho que se o fizesse, mesmo com respostas agradáveis, não conseguiria me divertir. Não tenho capacidade de ser comum - demorei para entender isso. Meu sonho era ser um na multidão, uma calça jeans com camiseta branca e tenis Nike surrado. Queria ser um eleitor do Lula, queria ser um sujeito que as pessoas esquecem o nome, um cara que some e ninguém sente falta. Arde-me o esôfago quando tento seriamente - e não quero que isso continue. Essa dualidade assusta os outros, esnoba alguns desavisados, e no fundo me alimenta. Não posso admitir que haja outros seres com tamanha inadequação. Não posso ter filhos. Por isso não canto mulheres em boates.
Sem comentários.Rs.
Gosto do teu sorriso. Gosto mesmo. Só o que vi até agora foram os teus dentes, mas já sei que és linda. Só o que tive até agora foi a tua atenção, e uma conversa deliciosa. Mas sei, pela forma dos teus lábios risonhos, que tens o que eu procuro. E sei, sem chance de dúvida, que sou o mestre do que procuras. Chove bastante, e não quero mais nada. Faz frio e eu queria estar gargalhando contigo, fazendo pouco do mundo que nos nega os sonhos. Dois insônes, que sonham como poucos. Eu com um controle remoto na mão e tu com um cigarro na boca. Não quero mais dinheiro. Não quero mais problema. Só penso no sorriso que me tirou do pecado… Do pecado de querer quem não me sorri.
Sem comentários.Azar no Jogo, Azar no Amor.
É sabido que essa estupidez de “azar no jogo é sorte no amor” é conversa para vender sexo para jogador que perde no bacarat. O oposto, que volta e meia uma esquisita solta numa noite de buraco no Flamengo, não tem sentido prático. Ninguem perdeu um amor e pensou que devia ir ao Bingo, usar a maré brava amorosa para fazer uma linha. Dito isto, para de culpar o Cosmos por teus erros, para de deixar de lado a culpa, ou melhor, o culpado dos teus vacilos. És tu mesmo. Saiba.
Sem comentários.Aa. Rm. To. Er.
Dizem que toda arte é referencial. Mas onde está a referência é que é a questão - e sendo assim, praticamente invisível, a arte pode sim ser criada completamente descolada do artista. Já vi textos sobre geologia que falavam de amor paternal. Já ouvi músicas sobre Don Juan que falavam de Hitler. Já vi a miséria fotografada em exposições cujo tema era a beleza - apesar de nunca ter entendido, admito.
Dizem que todo amor vale a pena. Dizem também que é melhor ter amado e se foder do que nunca ter tido tão nobre sentimento. Não há postulado no universo que me comova mais do que esse, mesmo tendo duvidado vez ou outra. Ainda duvido, às vezes, minha fé não é tão sagaz. Mas ainda titubeando, todo amor vale a pena.
Nem toda arte é referencial. Mas todo amor é preferencial.
Férias da minha índole.
Decidi que ter consciência é trabalhoso, portanto como patricinhas falso-moralistas em festas da Barra eu uso uma desculpa para fazer merda por aí. No caso delas esse alibi é o álcool… no meu é a felicidade.
Há tempos que eu decidi que os outros não merecem tanta consideração quanto eu costumava dar. Ainda acho que muitos merecem, mas não aquela quantidade absurda que me fazia pagar interurbanos de horas para ouvir os problemas de pessoas que não sabiam nem meu nome inteiro. Agora a coisa mudou ainda mais, pois eu passo a ter espasmos aleatórios de falta de respeito. Assim como todo mundo tem, e continua sendo amado, procurado e respeitado… sabe? Pois. Agora eu vou cagar um pouco para os outros. Só de vez em quando, veja, esporádicamente.
Sem comentários.Oito Nãos.
Não perde de vista quem te cativa.
Não faz pouco de quem te detesta.
Não puxa a corda que te sufoca.
Não acha que toda noite será uma festa.
Não vive querendo viver menos.
Não bebe do vinho que te faz errar.
Não pisa em quem precisa de ajuda.
Não ama quem tem medo de amar.
Ode à Solidão.
A grande maioria das pessoas tem medo da solidão. A solidão não é o inferno que se pinta, não. A solidão só te mostra o que tu realmente és, para ti mesmo. Ela te deixa nu, e expõe tudo aquilo que tu tentas esconder para o indivíduo que mais te critica - tu mesmo. Ela amplia os teus fracassos, e não fala muito sobre as tuas vitórias - que mesmo medíocres, ainda animam desavisados em reuniões particulares, em bares no fim das tardes de sexta. A solidão é um estado de sobriedade, e não de loucura, como tu gostarias que fosse. Mas eu, quando sozinho, não me queixo. Sei de tudo que a solidão tem para me mostrar, e com ela ao menos sei que estou acompanhado de alguém que me entende.
Sem comentários.Adaga refrigerada.
Você quer me matar? Você quer me matar? Você quer que eu me mate? Você vai me enfiar uma adaga? Você que eu enfie uma adaga em você? Eu não tenho nada a ver com a sua vida e você não tem nada a ver com a minha. Não se mete na minha vida cara! Vai, toma cerveja. Toma uma cerveja. Você não gosta de cerveja? Bebe cerveja. Eu, vou dizer, Eu… olha, eu… Você tem 200 reais para pagar?
Sem comentários.You only tell me you love me when you’re drunk.
Tenho umas coisas para te dizer. Estar perto de você não é o suficiente, não mais. Eu preciso de um sinal, de um gesto, de qualquer coisa que mostre que você se importa. Você só admite que me ama quando está bêbada. Preciso que essa atmosfera de amor descartável se acabe. O que mais me fascina em você me mata - e é um veneno forte. Não sou eu mesmo quando estou com você - fico bobo, sem ação… fico paralisado. E você é a única mulher do mundo que me deixa assim… no pico da minha maturidade sentimental. Em um ponto da minha vida que não há mais qualquer resquício de inocência, eu caio de joelhos pela única pessoa que consegue me deixar nervoso. E é isso que me deixa mais enlouquecido, e é isso que vem me matando. Você só deixa escapar que me quer quando está fora de si. Eu preciso de férias desse seu escudo pedante… mas quero que você venha comigo!
Sem comentários.Sóbrio.
Nunca ousei pegar na tua mão sóbrio.
Faço de mim tolo sempre que te vejo
ou que percebo que não te esqueci.
E abuso de quem não presta
mesmo sabendo que isso não é nobre
ou justo. Sonho toda noite com o beijo
perfeito que tenho guardado para ti.
Não sei mas o que me resta.
Não sei o que o futuro encobre…
E sempre, sempre lacrimejo
quando lembro do que eu vi
olhando por aquela fresta.
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