Archive for August, 2006
Sobre a promiscuidade ideológica e a escravização de si mesmo por seus próprios desejos.
Num mundo onde a violência é espetáculo, o amor tem um preço e o ódio é sazonal e negociável, eu tento sobreviver com minhas idéias pervertidas. Eu acordo todo dia achando que o sonho que estava tendo é a realidade e passo algumas horas sem saber que sou tolo. As vezes tenho umas surpresas, como quando fui expulso da comunidade mais vulgar e promiscua já cometida, ou quando notei, outro dia, em um destes panfletos digitais, uma foto de uma linda garota com uma camisa simbólica dentro das minhas idiossincrasias ideológicas e religiosas. A foto me fez percebe-la, é bela de verdade, com dedos finos e labios grossos, um que de inadequação que me fascina e olhos que a mostram real, viva, com escolhas e quem sabe desejos secretos que a escravizam como os meus. O problema não é tornar-se servidor de seus próprios desejos, leia, mas sim de seus medos, eu acho. Pois sem medo eu caio na vida desta dama e vou para cama tendo a certeza que vou sonhar com a verdade sobre ela.
Sem comentários.O amor deixa cego.
Eu olhei para trás para ver se tu estavas me olhando. A algazarra aconteceu da seguinte forma, um galalau com poucos dentes resolveu espezinhar o teu amigo, com alusões a sua homossexualidade notória. Eu não achei engraçado, não havia nada ali para se notar, comentar ou envergonhar-se. Cheguei perto e os olhos do babaca, ainda fixos no seu objeto de desejo, esperava uma reação qualquer, um choro, um empurrão, um beijo talvez. Olhei de novo para trás e não te vi, mas sei que estavas la, e deixei o copo na mesa para cuspir no maldito. Esse, obviamente ofendido, virou-se, e a minha mão o expeliu de perto de mim e da nossa mesa. Uma menina de uns 14 anos, acompanhada de um sujeito bigodudo gritou, e eu perdi a atenção por um segundo. Ele aproveitou para chegar perto rapidamente. Foi um soco no meu pescoço que me empurrou para a quina da parede e trouxe os teus olhos de volta para mim. O teu amigo, bastante nervoso e com alguma lacuna nos seus conceitos de gratidão resolveu fugir, fugiu mesmo, tu não viste. A criança começou a chorar e eu me recompus, levantei como um velho reumático. A porrada não foi forte, mas minhas costas bateram no ponto certo para me machucar… o mesmo omoplata que tu costumavas arranhar quando chegavas ao extase comigo. Eu adorava, mas sempre que me deixavas para ir ao encontro do teu escolhido eu tratava os riscos vermelhos na minha pele branca com alcool, para arder bastante e eu saber que há um preço pelo teu amor. Fui para cima do maldito meio sem preparação, mas consegui empurra-lo para a outra parede do bar. Minha mão foi mais rápida que meu bom senso e usou um copo de whiskey como projétil, que, eficientemente, cegou-o. Não estou orgulhoso, ainda tenho dúvidas sobre as consequências disso na minha consciência, mas insisti em doutrina-lo e sentei-lhe uma joelhada na barriga, atingindo sua fivela, que tenho certeza, o machucou bastante. Olhei para trás para ver se tu estavas me olhando, e te vi, a chorar. Eu, de pé, como novo, sem dor, talvez pelo excesso de alcool. Ele, cego e sangrando, caído. Eu não sei se ele ganhou, mas tenho certeza que eu perdi.
Sem comentários.The cure.
Sou um tolo que deixa meninas travadas e infantis tomarem o seu tempo. Que deixa infelizes malvadas entrarem sua casa para agir de forma arrogante. Sou aquele cara que por uma causa, um amigo, ou mesmo uma mentira, suporta todo tipo de agressão, mesmo sabendo que está do lado certo - e que isso tudo é injusto. Nada me faz mudar, nem meu talento fraudulento, nem meus erros, nem meus medos. Sou aquele que ninguem quer por perto quando se erra, e que todos amam ver errar. Sou só um, que se veste de si proprio ao invés de tentar ser o outro. Eu sei que não sou feito para ti, mas tento incessantemente te provar que o homem ideal é venenoso, e que eu sou a cura.
Sem comentários.Sobre o dia em que tu afogaste o meu ego em eter.
Conheci muitos mentirosos. Mas nada de pena ou arrependimentos, sei lidar com os infelizes. Uma vez paguei uma mulher para conversar comigo - e ela não me disse nada. Tive épocas em que saía de casa com débeis mentais, não por carência ou solidão, mas por falta de referências de demência. Queria me comparar com alguém realmente problemático, para tentar assim ver algum traço animal em mim que não só o fogo que tenho entre as pernas toda noite. A análise teve como resultado, mas uma vez, a minha inadequação ao ser humano, até mesmo aos castrados. Jung disse que um castrado ama outro, um estranho ama outro, um doente entende outro. Read more
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