Archive for September, 2006
[Kein Thema]
Forgive me father for I have sinned… Eu não menti, mas disse coisas verdadeiras demais para serem ouvidas. Não roubei, nem furtei, mas destruí lares, inocências e ideais. Quebrei dogmas que sustentavam a vida de muitos, apaguei telefones de quem me queria bem e revisitei problemas esquecidos. Valorizei quem não merece a bala que leva quando é assassinado, maltratei quem nasceu para ser feliz. Não matei, quebrei pernas, pulsos e copos de whiskey em festas animadas, sujei de merda portas de casas decrépitas e navalhei rostos perfeitos. Forniquei promiscuamente com cada idiota de 100 libras que me passou na frente e não tirei nada de muito positivo disso. Desligo o telefone para não ser acordado dos pesadelos horríveis que me perseguem, e tomo remédios que só encobrem os meus defeitos e a minha sina. Queimo dinheiro que podia mudar a vida de pessoas que mudaram a minha, sem remorços, sem culpas. Forgive me father for I have loved…
Sem comentários.Secret Love
Há anos que eu te digo o que sinto por cartas, e tu só falas comigo nos sonhos… ou quando deixas escapar uma ou outra frase, alcoolizada. Digo e repito, you’re much too young… mas ainda assim me fascinas como uma sereia o pescador. És tola, e te acho sábia. És superficial, e meus longos braços não te alcançam. És malvada, tratas-me como um qualquer e ainda assim me sinto especial quando te tenho comigo. Podias ser mais uma, mas és a única. Podias ser minha mas és do mundo.
Sem comentários.Mais palavras para ti…
It’s my lack of ambition… well they tell me… that is missing
Há quem ache que os poucos beijos que escaparam da tua boca não deviam me deixar assim. Eu não devia me contentar com pouco, é verdade. E não me contento. Por outra vez eu tive que congelar minha masculinidade, e meus instintos primais. Mas a ternura que me sufoca quando te lambo os dentes não merece ser desprezada. Eu penso em cada detalhe sempre que te vejo, e nunca penso em nada quando te toco, é engraçado até. Não me contento com pouco… nada em ti é menor. És a única que me abala, és a única que me gela, e que me aquece com um toque. És a única que me tira o sono, que me ajeita, que me conserta. Que me ignora e que cuida de mim. A única que eu quero.
Sem comentários.Clalisse
Nunca tinha ouvido essa variação antes. Foi quando eu visitei uma amiga, do passado. Na sala, um futon enorme e no quarto, que não ousei entrar, sua filha, de sete anos, que eu nunca conheci. Ela ficou me falando de coisas frívolas enquanto assistia a televisão, tentando não prestar atenção em mim. Falou-me da filha, Clalissa, que em breve acabaria os afazeres escolares, e saíria do quarto para acompanha-la numa visita. Algo como ‘tenho pouco tempo’. Eu queria entender isso, porque nunca tive esse tratamento antes… por parte dela… nestas situações. Conversamos sobre websites, domínios, nomes, e a cada segundo de conversa mole ela me parecia mais linda. Ela virou-se quando eu sugeri um domínio para a filha dela, e por um segundo eu achei que era atenção… mas era a campainha.
Entraram dois sujeitos bem diferentes do cenário que eu via ali. Um apartamento grande, na Zona Sul, de uma princesa bem relacionada - salvo a lacuna que é a nossa amizade - e dois sujeitos gordos, bem feios, de chinelos gastos, bermudas velhas e camisas de times locais surradas e curtas entram, sem cerimônia e com uma intimidade assustadora. Ela os recebeu com graça, e com o sorriso que já me fez tomar veneno pela falta que sempre me fez, os apontou o futon e entrou na ala intima da casa gargalhando. Eu não ouvia o que os trogloditas tinham a dizer. Mas a cena toda me pareceu meu bizarra, como num filme nacional. Ela voltou depois de uns minutos e vejo de relance Clalisse passando por trás, indo ao banheiro. Minha amiga sentou-se entre os mocorongas, rindo, e com a camisa do Vasco. Estranho. Tentei brincar, causar algum tipo de laço, me inserir na conversa. Disse-lhe que ela estava com dois sujeitos de mal gosto, uma vez que seus times eram adversários. Alguma risada educada foi solta e a intimidade continuou. E eu, bastante deslocado, fui até o banheiro conhecer Clalisse.
Clalisse, falei, é você? E fui entrando no banheiro. Ela foi a porta, nua, mas sem inibição, como todas as meninas de 7 anos. Era praticamente albina, cabelos louros enormes e bem claros, olhos azuis, e sobrancelhas falhas. Clalisse me cumprimentou secamente estendendo a mão, puxando meus olhos do seu rosto para ela. E esse foi a hora que eu me choquei, pela primeira vez em muitos anos. Clalisse era hermafrodita e tudo o que queria era fugir dali o quanto antes possível.
Sem comentários.Precisando de M.
Sei que faz tempo, mas agora é diferente. Não é mais por prazer, mas sim por dor. Preciso de M, assim como preciso de ar. Cada segundo que passa a dor parece aumentar e eu já não tenho dúvidas. Não consigo escrever, e nem poderia, não tenho permissão. Não consigo dormir direito, rolo na cama durante horas, aproveitando cada esgotamento que meu choro causa para cochilar por alguns minutos. Acordo suplicando por M, nervoso e carente. Sinto o corpo todo imobilizado, e nem acender um cigarro mais consigo. Penso em ligar mas quem atenderia? Se você, que lê essas linhas, pode me ajudar, traga sem demora, traga a minha casa. Por favor. Morfina.
Sem comentários.








