Archive for October, 2006

Deixa sob os cuidados do Sr. Zarustica, por obséquio.

Como um ídolo do rock, ou como um herói de qualquer guerra ingrata, nosso amor morre no início, sem nem ter existido direito, sem ter acabado de fato. Morre com hora marcada, por uma decisão idiota, feita por um covarde, este que vos escreve. O coração deste tolo não comporta mais essas emoções mundanas e joviais que a tua imagem, ou lembrança, comete. Minha mente precisa de espaço e meu pau não aguenta mais tanta pressão sanguínea causada por coisas tão bobas e simples, como ao olhar os teus dedos finos, com unhas que só ficam bem em ti. Posto que és a única que me deixas inseguro, já disse isso antes, e a única que me faz sentir tão bem - e tão mal posteriormente. Sinto demência quando analiso minhas ações contigo, e não tenho como controla-la, senão, afogando a paixão que me faz agir como alguem que não sou. Portanto abandona as tuas expectativas, o teu tesão controlado, e, principalmente, as tuas inseguranças - que tanto me impediram de encontrar a tua verdadeira ternura. Liberta-te delas. Empacota o que te resta de desejo por mim e deixa no meu prédio, o mais rápido possível. Por obséquio.

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Idiot Box.

Acho engraçado essa galera que acha televisão a raiz de todo o mal. É patético rejeitar meios de comunicação de massa para parecer especial. Se a tevê é tão ‘mentirosa’ e ‘condescendente’ talvez crítica, informação e inteligência sejam qualidades necessárias para quem quer assistí-la. Eu aprendi muito vendo televisão. Na minha infância eu já era mestre na pratica da insônia, e via absolutamente quaisquer filmes que a madrugada tinha. Nunca tive videocassete e não sou de alugar dvds. Portanto toda a minha filmografia pessoal veio da televisão, e é, consequentemente, datada, uma vez que os filmes só chegam no corujão 25 anos depois de realizados. Séries americanas me ensinaram muito também, e mesmo sem nunca ter estado no país do beisebol explico vários de seus detalhes sócio-culturais aos meus amigos e parentes. O revés vem quando essa tonelada de informações interfere na minha vida, e isso tem acontecido desde Manimal. Eu comparo o que eu vejo entre a porta da minha casa e o Diagonal com o que assisto na Sony. Uma coisa que me chama a atenção é uma rotina que ocorre no ato sexual em todas as séries, até mesmo Sex And The City. Sempre que as pessoas acabam de transar, elas se descolam e desabam sincronizadamente na posicão convencional na cama de casal, sempre da mesma forma, seja o sexo bom o ruim, seja a história cômica ou sexy, com aquela camêra em cima da cama como um espelho no teto do motel barato. Eu me pergunto se eu sou um descoordenado ou se todos na vida real também ‘terminam’, como eu, cada hora em um lugar, e definitivamente nunca olhando para cima, debaixo de cobertas e paralelo a parceira, ou parceiras… Eu penso ao acordar se deveria tomar leite direto da caixa, afinal, moro sozinho - como se isso nunca fosse madatório nos seriados. Mas odeio leite puro, e acho meio nojento por a boca naquele papelão. Sou influenciado, admito. Eu, por exemplo, não saio com ninguem há séculos, mas tenho tido vários dates. E entenda, são dates, no melhor estilo Single Guy. Levo para jantar, pago a conta e espero o momento do Goodnight Kiss - que na Ipanema do meu Brasil foi adaptado para Hello Sex, coisa de país tropical, eu não tenho nada a ver com isso. Nas minhas tardes, quando vagas, chamo conhecidos para um café numa lanchonete de esquina, comento as esquisitices das pessoas que tenho conhecido e às vezes uma amiga pede uma big salad. Certa vez, imobilizado em casa, vi tantos episódios de Dead Like Me seguidos em mais uma madrugada insône, que numa terça, ao amanhecer, sai para comprar ingredientes para fazer waffles - que adoro pois provei antes dos sete anos. Sei todas as siglas e expressões da polícia e do exército ianques, por ter visto várias vezes todos os episódios de 24 e tantas outras séries de ação. Falando em 24, outro dia um date me disse que eu parecia o Charlie de Two and Half Men, o que me é inédito, uma vez que já perdi a conta de quantas vezes me notaram traços de Jack Bauer. E é essa a hora que eu deixo o leitor ver o quão envolvido estou; saibam, todos vocês, que no fundo eu não tenho nada a ver com ele, e sim com o Tony Almeida.

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The Seven Year Itch

Dizem por ai que devemos mudar a cada sete anos. Eu percebo que minhas obsessões podem, com alguma tolerância, ser divididas em períodos de 7 anos. Até os 7 anos de idade, por exemplo, eu experimentei todo tipo de comida. Obrigado, verdade, mas experimentei. Depois mudei e nunca mais pus algo na boca que eu já não tivera experimentado. Dos 7 aos 14 eu já tinha meus discos, vitrola, tudo, mas o vício era a leitura. Depois cansei e decidi viver. Aos 14 virei DJ e comecei a comprar discos como um louco. Aos 21, cds. Aos 28, dvds. Aos 35 acho que terei filhos.

O fato é que depois de sete anos eu percebo que tu não és que eu pensava que fosses. Percebo que tu és, aliás, a antítese do que eu achava. Tu não és perfeita, não és linda, não és tão inteligente. Tu não és elegante, não tens carisma, não és inovadora. Tu não transbordas ternura, não me deixas de quatro, não me causas arrepios. Tu não mereces a atenção que te dão, não valorizas o amor que recebes e não sabes a sorte que tens. Talvez tu foste isso tudo mesmo, e agora, depois de 7 anos, mudaste radicalmente como o churrasqueiro bebum que agora reza a vaca. Talvez eu esteja errado, sempre há essa possibilidade. Ou talvez depois de sete anos eu tenha mudado de obsessão, de novo.

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