Archive for January, 2007
Redenção
Sejamos fiéis aos nosso vícios por mais um momento - deixa eu dizer o que estou ouvindo agora. Blur, ‘13′, Trimm Trabb. That’s just the way it is… Eu hoje acordei com a sensação que perdi. De novo. Estou um pouco fatigado, admito. Contigo, eu sou um pato, daqueles do tiro ao Alváro. Eu tomo tiro, caio, dou uma volta e acho que não tomo outro. E tomo. E como. I got trimm trabb like the flash boys have… Não adianta se vestir bem Clarisse, não, não. Tem se que ter peito de pedra, há de se agir secamente. Tenho que te comer como faço quase toda noite, como um prostituto experiente, fazendo meio Rio de Janeiro gozar, mas sem me envolver, e sem achar grandes merdas. E nada de sinceridade também, pois essa regra não vale aqui - como trinca não vale no jogo com a Bárbara. Aliás, tu me disseste que nunca tinha estado com uma mulher e que a idéia não te apetecia. Meu Deus, como eu sinto falta de mulheres heterossexuais, e como eu sinto a tua falta. And I can’t go back… Nem sei se eu queria, vou dizer. Talvez voltaria se pudesse saber que no dia seguinte tu ias me tratar como um conhecido distante, com pressa de desligar, mas eu não assino o G1. Mas o fato é simples. Tu estavas deitada na minha cama dizendo que se acostumaria facilmente àquilo tudo, e me pedindo para não deixar mais ninguém entrar no meu quarto. Se eu tivesse passado por isso de novo, mesmo protegido sob a idéia de que era uma mentira, eu estaria com o mesmo azedume no meu sangue, porque eu sou um tolo que vê nos teus olhos a idéia da minha felicidade - mas só a encontro de verdade quando beijo a tua boca. Let it flow…. let it flow… É sabido que toda redenção e tem um que de danação, mas eu me pergunto se o contrário também vale. Não sei se tê-la nos meus braços na última quarta foi o meu melhor momento, talvez Martin L. Gore saberia. Mas sei que ele marcou um ponto sem retorno, em que qualquer outra mulher que queira me afagar vai ser comparada a ti - e agora aprecie o que eu vou dizer, ela vai perder.
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Sobre o merecimento.
Perdoem-me os leitores se a carga emocional e etílica influi neste texto. Acabo de por no Moritz o Fine Time canadense, de envelope, que não tinha na época em que escrevi sobre este mesmo assunto, fazem quatro anos. Ouço Fine Line, a versão instrumental e lembro da letra que cantei para ela, na cama, enquanto ela insistia em ignorar minhas declarações e abusar do meus beijos. Beijos que, digo para quem quiser ler, nunca foram tão preciosos… Hey lady… cantarolo a canção que ouvi pela primeira vez quando ela tinha 4 anos de idade e nem sabia que ia ser minha. Pois, é. Seguro-me na tentação de abusar do meu corpo minutos depois dela ter ido. Se você, que lê esse desabafo adolescente, percebe a grandeza da noite que eu acabei de ter, com uma mulher que me acusava de mentiroso a cada verdade que eu contava, saiba: foi incrível, como sempre. Detalhes não serão divulgados, nem aqui, nem no Diagonal. Mas o fato é que pela primeira vez eu acho que vou vê-la outra vez antes de dois meses. Ninguem mais, é fato, mas ela, hei de ver. Hoje cedo, uma de vocês, minhas confidentes, me desejou sorte, seguido de um ‘tomara que ela mereça esse amor todo’. Pois bem, finda a noite e eu sei da resposta. Não merece.
Merece mais.
Sem comentários.Saudade.
“J’ai perdu, je m’incline, j’ai compris
Et je disparaîtrai de ta vie…” E. Daho, La Baie
Não perdi - nem vou, saiba - mas sempre penso em sumir quando te deixo em casa. Sempre penso em ir até a Patagônia a pé, ou pegar uma carona num barco para a Ásia. Sempre penso em evitar, a todo custo, o que se passa na minha cabeça quando tu estás nela. Sinapses psicodélicas, discursos infinitos decorados (obviamente esquecidos quando tu estás na minha frente) e uma confusão contra-produtiva. Não adianta, não há chance de te esquecer. Quaisquer palavras tuas me tiram da toca, e aquela que estava guardada com calma e carinho no canto, para que eu pudesse viver livremente, rompe as amarras com vigor e me toma, sem me deixar em paz um segundo. Um segundo eu digo. E sou eu que tenho que te ver em cada embalagem de shampoo, de queijo importado ou garrafa de champagne. Ou de pinga. E não por uma noite, como antigamente, quando eu achava que sabia o que era sentir falta de alguém, mas por semanas, noites, dias, manhãs, tardes e sonos nervosos. Entranhamente sei que vale a pena, mas não gosto de sentir tão entregue assim, sem controle. O problema é que eu não sei o que fazer, e desta forma, aparentemente, ainda te tenho por algumas horas a cada bimestre. Deixa como está, eu aguento. Só queria que tu saisses de minh’alma na hora de dirigir, evitando assim os inúmeros acidentes.
Sem comentários.Perco sempre.
Não te quero.
Não te curto, não te admiro.
Uso-te, pois sei que me excitas.
Uso-te porque sei que queres ser usada, e não há nada de mal nisso.
Uso-te do jeito que quero, sem frescuras, sem condolências, sem remorços.
Não penso em ti quando ouço um acorde menor.
Não te desejo quando me visito, sozinho.
Não me fazes falta, e talvez eu não precise mais de ti.
Nem quando o meu ego inflas,
nem quando o meu corpo molhas,
nem quando as minhas horas matas.
Nada em ti me cativa, mas tuas curvas me agradam…
[...por hora]
Canso de ver várias de ti entrando e voltando.
Querendo ser minha, querendo me ter.
Mas pedes pela mentira, que sei tão bem contar.
Suplicas pela idéia imaculada, e tão frágil, de que há alguma chance.
Não pensas duas vezes, crês mesmo sem fé.
Eu te uso, tu queres ser usada.
Fazes-me mentir, e não quero ser mentiroso.








