Archive for August, 2007

Faz-me um sujeito melhor.

Olha que coisa curiosa, a cerveja que tu te vanglorias de beber, que custa 20% mais caro que as outras e que só se encontra em bares seletos é, na maioria das vezes falsificada - servem-te uma tal, mais barata que a mais barata, sem marca conhecida entre os teus. Os teus tênis, que foram comprados em um shopping da moda, com piso de mármore e estacionamento caro, são os mesmo que foram rejeitados pelos públicos mais exigentes e desviados para ti - só para ti. Teu celular que custou mais que o que tu ganhas por mês mas que aquele cartão de crédito que conseguistes na faculdade e que ainda usas te permitiu comprar em tantas vezes, hoje custa lá fora menos que o teu velho, que destes para a tua empregada para dormires melhor a noite. E digo mais, na tua ultima parcela olharás para ele sentindo-te envergonhado por ter um objecto tão desatualizado. Tua vida é feita de pequenas farsas economicas que te fazem sentir mais importante, onde eu, secretamente, acompanho e rio escondido. Não porque tenho vergonha de ti, mas porque tenho medo que a brincadeira acabe e que o meu prazer tão vil e mesquinho caia por chão fazendo da minha vida um nada.

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Sou eu pelado numa ilha grega.

Eu me canso de me perguntar o que fazem as pessoas se moverem, acordarem, saírem pelas ruas. Todos parecem gastar o tempo que passam sozinhos elaborando o que vão dizer em grupo, ou a dois. Uma única amiga minha assumiu que ensaia no espelho do seu banheiro, todo o texto que vai vomitar nos que tentam conversar com ela. Mas, felizmente talvez, ela não fala mais comigo. Assusto-me com a eterna insatisfação que cada um tem consigo mesmo. Hora querem falar inglês com um tal sotaque porquê acham mais bonito, hora querem beber champanha, hora querem copular com as pessoas menos qualificadas da humanidade. Não me faz a cabeça viver em função do que o outro vai interpretar, porque, numa boa, eles sempre vão puxar para o pior e sinceramente, não me importa. Sinceramente da época que isso valia alguma coisa, não estou usando a palavra como vírgula. Eu sei que como sempre estou errado, e parecer errado é cool, mas estar equivocado de verdade não.  Nem Papas sodomistas aceitam ou perdoam. O que eu preciso mesmo, acho que ia ajudar, é do isolamento total, numa ilha na grécia que tenha um código postal e um computador para eu continuar me masturbando com coisas que só eu gosto pelo ebay. Acho que umas cabras que me dessem leite e queijo e um venda local onde eu pudesse compra cerveja seriam suficientes para a minha sobrevivência. Não nego visitas, desde que sejam breves e nuas.

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Sorte.

Sou um cara de sorte. De todo tipo de sorte, de sortilégios, de coincidências. Minha ducha do banheiro tem um desvio em um de seus jatos, que espirra a água em um determinado ângulo que acerta em cheio a minha saboneteira e assim perco os meus Dove mais rapidamente que o resto do mundo. Eu peço artefactos caríssimos pelo correio internacional e a triagem da alfandega não me sobretaxa nunca - e qualquer pessoa que tenta comprar um CD perde mais e mais dinheiro ao receber oa encomenda. Nunca fui assaltado. Nunca perdi dinheiro. Uma vez eu comecei a me relacionar pela internet com uma garota de Kansas, nos Estados Unidos. Ela me contou que era abusada pela meia irmã e eu a convidei para gravar uma música, chamada Sinister Big Sister. A música virou um compacto, e para a capa eu escolhi umas fotos bizarras de uma outra garota, de Nova Iorque, que havia escaneado o próprio rosto conseguindo resultados estupendos. Pois. A tal garota da capa era, coincidentemente, a meia-irmã que molestava a cantora. Nunca entendi essa. Zufall, dizem os germânicos. Eu reclamo, mas não houve uma coisa na minha vida que eu não mereci. De rompimentos sangrentos até acidentes domésticos eu plantei tudo que colhi. E acho que ainda assim tive sorte. Sou estelionatário, vou preso a qualquer hora. Sou galinha, vou ser traido também. Não ligo, acho que das punições possíveis vou ter as menores, e sempre, sempre vou merece-las.

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