Archive for September, 2007
Pop #1
Eu te sussurrei por meio digital, outra noite dessas, que tu eras a minha obsessão atual. Tuas curvas perfeitas, teu jeito inocente e mandão me cativam. Falas cinco línguas e só o que eu penso é alguma delas lambuzando a minha. És como um ambigrama - de dia segura, trabalhadora, simpática, educada, culta e perfeita. E a noite, linda, devassa, gostosa, safada, malvada, e perfeita.
Sem comentários.As possibilidades são infinitas.
Vida nova.
Mudança.
De novo.
O que o mundo ocidental caga como desejo unânime, mas nunca persegue, eu tenho - e de sobra. A falta de rotina assombra a minha vida e te digo, não é tão divertido como se imagina. Eu não posso reclamar, entenda, sou assim e estou acostumado. Mas quando tudo que temos na vida são dúvidas, a mesma se torna mais exaustiva. Exaustiva é a palavra.
Uma vez eu li que o esforço mental para a resolução de um problema consome tanta energia tanto quanto uma partida de pingue-pongue amadora de meia-hora. Pensar emagrece, pense. São noites e noites imaginando de tudo, como vai ser cada passo, e sempre, sempre andando de forma diferente. Eu já invejei os que acham uma garota legal, casam, se aquietam, tem um emprego e morrem, confesso, mas deixei de olhar para a grama do vizinho faz tempo. Sou assim, informal, inquieto, curioso e agressivo nas minhas apostas. E se passar horas, quase que exclusivamente à noite, pensando no que vai acontecer agora, ou amanha, ou depois, me cansa, eu te digo: tenho uma energia inesgotável para continuar sendo eu mesmo.
Como sempre, o vilão.
Você é mau-caráter. Você é bicho ruim. Eu não tenho culpa se a sua namorada lhe deixou porque você a envergonhava e por alguns meses não a satisfazia mais na cama. Não tenho culpa se ela quis algo melhor para a vida dela. Não tenho culpa se ela confidenciou, bêbada, numa roda de amigas, que gostava de mim. Não tenho culpa se você ouviu. Eu não tenho culpa de você não ter estudado, não ter feito nada da vida e estar aí agora, com quase 30 anos, procurando emprego em lanchonetes. Não me culpe pela sua notória incompetência, no trabalho e na vida. Não tenho culpa se você tomava remédio para não se matar. Não tenho culpa se o seu pai nunca lhe aceitou do jeito que você é, e nunca lhe amou de verdade. Se ele não quis lhe bancar. Não tenho culpa da sua mãe ter morrido. Não tenho culpa de você ser mau-caráter.
Sem comentários.Referências idiossincráticas.
É um sujeito na janela do teu quarto segurando um boom-box sobre a cabeça tocando uma musica do Phil Collins. Outro dia, vendo o Lost, eu percebi que o Hurley, além do óbvio apreço por pan pizzas de pepperoni, tem outra afinidade comigo - ele vi Say Anything. Pois eu estive na janela do teu quarto, jogando pedras, batendo com uma vara longa, bebendo, me perdendo. Eu estive lá por tantas vezes, ouvindo música havaiana tocada por um surdo do interior da Austrália no meu iPod. Muitas vezes só observando, como um fantasma. Eu já pisquei para a janela do teu quarto, assim como no foley de Botafogo. Poucas vezes tu notaste a vara a arranhar o teu vidro, poucas vezes me deixaste entrar. Pouquíssimas vezes entrei. Mas ainda guardo com carinho as horas em que fiquei na janela do teu quarto.
Como tu pudeste me perder?








