Archive for February, 2008

A pessoa é para o que nasce.

Eu percebi no meio da coisa toda, mas tem gente só percebendo agora. Não adianta o passado, o diploma, os contatos. Não adianta o berço. Nada disto traz para ti o bom-senso que precisas. Nada disto faz de ti competente, pois competencia não é saber o que fazer, é fazer. Não adianta trocar de ideia todo o tempo, tentar o impossivel. Adianta fazer. E eu fiz. Tu… tu não consegues decidir nem o nome do teu filho, e tivestes nove meses para tal. Tu não consegues executar nada, nem consegues mandar, pois quando se cumpre o pedido o prato já mudou, o apetite mudou. Tu não serves para isso. Aprenda, nada adiantou tudo até agora pois a tua miopia é gigante.

Sem comentários.

A vida é uma eterna sucessão de disapontamentos para quem tenta me mudar.

É essa a camisa, é esse o par de meias. É alto, o som da minha voz, o som da sala, o som da cidade, da rua. É largo o meu peito, são todos meus, todas minhas, mas eu só sou teu. Não me oponho a absolutamente nada que não se oponha aos meus habitos viciantes. Não sou oportunista, mas as vezes oportuno, e sempre, mas sempre importuno quem é pequeno. Não sou desonesto nem com o dinheiro dos outros nem com o que acredito - mas roubo corações sem pensar duas vezes. Sou assim, sou espaçoso pois os meus precisam de conforto. Sou o vilão, sou o que fala, sou o que pensa, sou o que aponta mas não sou o que julga. São esses os meios, são estas as letras. Sou eu.

Sem comentários.

Sinfonia para Maio.

Acordo tarde após uma noite inteira em frente a tevê, passando de canal em canal e só parando para ver comerciais que me seduzem a comprar coisas que não preciso. Lavo o rosto mas o gosto amargo da minha boca não sai nem com listerine. Sinto a tua falta e vou ao piano. É assim que eu sei lutar, assim que eu fui treinado. Meu dedo pesado cai numa tecla que boceja uma nota… mas me soa muda - deve ser dó, que não sinto desde que tu me deixaste assim. Sou forte e continuo, pensando no quando eu quero quebrar todas as regras contigo. São três os dedos agora, não consigo mais que isso, não uso sétimas. É um acorde de esperança, um acorde assertivo. O começo de uma harmonia que me emociona, e que me identifica. É a trilha sonora da teu rosto insone, amassado, me olhando cheia de graça de longe, no fim da primavera mais longa da minha vida, no aeroporto mais sem-graça de Londres. São notas que, acho, com um violão e uma voz sorturna, podiam, quem sabe, me fazer sentir o tempo passar mais rápido.

Sem comentários.

Essa é para quando você se esquecer de mim.

Essa é para quando você se esquecer de mim, assim mesmo, bem simples, bem popular, como em uma canção que toca na rádio. Bem coloquial, diferente de como tenho escrito desde que eu descobri para que serviu a biblioteca que meu pai me deixou de herança - devidamente lida, por puro ócio e inadequação adolescente e infantil. Esse texto é para quando eu estiver longe por tempo suficiente para que você tenha esquecido do quanto eu tentei te agradar, te amar e te comover. Aliás te fazer sorrir. Acho que se eu tive alguma importância na tua, perdão, na sua vida foi ter tentado insistentemente e muito eficientemente ter te feito rir (não consigo escrever uma carta de amor na terceira pessoa, apesar disso estou tentando - desculpe os erros). Ter te lembrado todos os dias o quanto você é mais importante que você achava que era - para mim e para o mundo. Ter te mostrado o quanto uma convivência, perfeita como a nossa, era possível, sem brigas ou discussões, sem perdas de tempo.

Essa é para quando você estiver com outro. Alguém que te faça rir, alguem que te faça feliz. Essa é para que você lembre o quanto eu te quis, para que você saiba o quanto foi amada. Essa é para quando você quiser se lembrar quem foi que te mostrou o quanto você vale, e que talvez tenha te perdido por isso. Por pura pobreza.

Sem comentários.