A Cauda Longa.

Charles Dickens publicou Great Expectations em capítulos, no jornal, e assim – mesmo sem essa intenção – as pessoas lembraram de seu nome por muito tempo. Mas o fato é que o nome do autor é o primeiro a ir embora. Depois vem o título do livro, a história. O que eu quis, mesmo com rubricas, foi te escrever, em várias vezes, em vários envelopes pretos, para que tu demorasses mais a me esquecer. Depois da história, o climax é esquecido. O final impactante, o beijo marcante da mocinha, ou a morte de um personagem querido. O tempo passa e a memória vai te traindo. Perde-se a noção do tempo, da intensidade e do imenso prazer que se tinha com aquele romance comprado numa tarde de domingo, na livraria que ficava na frente da minha casa. Eu li e reli várias vezes e ainda não cheguei ao final do livro, onde a tal mocinha entra numa igreja com o vestido arrastando por quarteirões. A cauda longa – onde o nosso herói deixa o mercado de massa para o mercado de nicho. Onde ele deixa de agradar a todos para fazer uma só mulher feliz. Onde ele deixa de querer o mundo para se contentar com um sorriso, ou neste caso, mais específico, uma lembrança.