A quarta estação.

Os banhos ficam mais longos, com a água quente sendo o meu último conforto. As tardes passam mais rápido, mas as noites são intermináveis. Não tenho andado com muita fome, nem com muito ânimo para sair, mas pedalar pelas ruas geladas com o fone de ouvido ainda me seduz. E o faço, as vezes pela madrugada. Como ouço as mesmas músicas, o tempo parece passar mais rápido. Mas a verdade é que quando chegou na garagem e olho ao meu pulso noto que não gastei mais que três quartos de hora, em alta performance, correndo pelas mesmas vias que de dia vejo engarrafadas. Houve a época em que meu calendário era marcado por uma ligação que eu fazia ou recebia quase que diariamente. Agora eu o marco pelos meus longos banhos diários, que me servem com um confessionário, um melhor amigo e um retiro dos meus proprios erros.