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Nada era mais fácil para ela do que arrancar suspiros – de paixão dos meninos e de inveja das meninas. Andava sólida pelos corredores do colégio, sendo cumprimentada por todos, pelos esportistas, pelas patricinhas, pelos nerds e pelos professores – que achavam, secretamente ou não, que valeria a pena um processo e o fim de uma carreira no magistério para ter uma noite com a ninfeta. Ela exalava sensualidade, e segurança. Era o símbolo de um sucesso inalcançável – uma família bem sucedida e perfeita, notas máximas, e principalmente uma beleza rara para uma adolescente. Era o tipo de beleza que não se vê só com os olhos. E o leitor pode achar por um momento que a tal família vivia de aparências, e que o pai tinha uma vida dupla com uma concubina porto-riquenha, ou mesmo um travesti gostoso. Ou que era corrupto e que não se separava por chantagem. Mas não. O pai era um sujeito polido, que amava a esposa. Libido não era o seu forte, mas ainda assim, ainda tinha seus momentos íntimos e fazia a mãe da garota muito feliz – de verdade. Aliás felicidade era seu nome do meio, e o seu bom humor era a marca registrada desta quarentona que sabia cozinhar e receber convidados como poucos. Às vezes, é verdade, ela tinha alguns momentos de melancolia quando lembrava do pai perdido tão cedo, e da infância com as tias que teimavam em faze-la comer mais do que queria, tantos anos atrás. Mas essa melancolia nunca virou agressividade nem mesmo tristeza. A garota não era filha única, tinha um irmão 6 anos mais novo que já era um gênio na escola e se dava bem com o computador. Ela não tinha do que se queixar, e nunca pediu para ninguém gostar dela – e esse era o problema. A inveja era crescente justamente porque ela tinha tudo sem muito esforço. A inveja era tamanha que nem mesmo o mais paranóico dos homens perceberia o que acontecia no círculo feminino quando se falava dela. E ninguém, por 3 anos seguidos soube que toda semana, as vezes mais de uma noite, ela saia de casa escondida e ia até um posto de gasolina ser sodomizada por uma atendente da loja de conveniência, com quilos a mais e um pinto de plástico.