Aa. Rm. To. Er.

Dizem que toda arte é referencial. Mas onde está a referência é que é a questão – e sendo assim, praticamente invisível, a arte pode sim ser criada completamente descolada do artista. Já vi textos sobre geologia que falavam de amor paternal. Já ouvi músicas sobre Don Juan que falavam de Hitler. Já vi a miséria fotografada em exposições cujo tema era a beleza – apesar de nunca ter entendido, admito.
Dizem que todo amor vale a pena. Dizem também que é melhor ter amado e se foder do que nunca ter tido tão nobre sentimento. Não há postulado no universo que me comova mais do que esse, mesmo tendo duvidado vez ou outra. Ainda duvido, às vezes, minha fé não é tão sagaz. Mas ainda titubeando, todo amor vale a pena.
Nem toda arte é referencial. Mas todo amor é preferencial.