Backstabbing.

Ao invés de passar meia hora escrevendo sobre a dor da traição, dando um pequeno conforto a mim mesmo e achando que estou tirando algo ruim de dentro de mim, quando na verdade estaria alimentando mais e mais o ódio e a dor, eu decidi por falar de sinceridade. A clássica sinceridade, inimiga de tantos e tão desejada no mundo – mesmo pelos que não fazem muito uso dela. Sinceridade não pode ser confundida com falta de tato – assim como a pegada tigre não pode ser confundida com violência sexual. Nem mesmo pode passar por burrice social – tagarelar todo e qualquer defeito das pessoas abertamente pode te jogar numa masmorra solitária que nem Jack Bauer te salvaria. A sinceridade começa por si mesmo. Sabermos o que somos, o que queremos, sermos fiéis aos axiomas que saem da nossa boca numa mesa de bar quando nos dão a sonhada chance de falar tudo aquilo que pensamos sozinhos no ônibus, voltando para a casa neste trânsito desgraçado. Não aguento mais tanta gente levantando bandeiras que usam para lavar a calçada. Tanta hipocrisia institucionalizada – sem drama, não estou nem falando de drogas ou sexo, todo mundo mente sobre isso mesmo, é sócio-patológico. Preocupa-me essencialmente essa necessidade que todo mundo anda tendo de ser perfeito. De nunca errar, de se justificar sem que peçam, de já ter ouvido falar em tudo antes sob o risco de soar defasado culturalmente. Essa carência de dizer o que se pensa – oras basta escrever num blog qualquer e calar a boca durante a noite. As noites são feitas para a poesia e não para discursos decorados. As noites são feitas para os silêncio da cumplicidade e as vezes da dor. Não me aborreça com o que te fez passar o dia todo no espelho decorando o que dizer para mim. Sinceridade é dizer eu não sei. Sinceridade é dizer que não gosta dessas coisas, mas que as vezes tem vontade de saber como é. Sinceridade às vezes é trair, mas dizer que sente muito. Mas com vontade, sendo sincero.