Benson.

Desde que comecei a fumar cigarros mais longos, destes mentolados, minha vida começou a passar mais vagarosamente. Eu não sabia o quanto estava condicionado a passar exatos 4 minutos fumando, e no começo sempre me dava vontade de apaga-lo quando ainda tinha um terço de tabaco. Comecei a respirar mais fundo, acredite se quiser, e curtir mais a pausa motivada por um vício tão nojento. Comecei a olhar mais para o terreno baldio que vejo da sacada do meu escritório, onde misturo nicotina e cafeína 5 vezes ao dia. Neste terreno tem um mendigo, que às vezes defeca na minha frente. Às vezes ele dorme, e às vezes, muito raramente e o pego olhando em minha direção com um olhar de cumplicidade. Foi esse mendigo quem me mostrou que nada vale tanto quanto a gente acha. Que em certas ocasiões temos que esquecer o que nos ensinaram, que temos que nadar contra a maré, que temos que nos arriscar. Se tudo der errado ainda vou ter onde dormir, onde cagar, e com um pouco de sorte, onde achar outro personagem para me inspirar.