Carta para ela.

Tu não és a vilã. Nem para mim, nem para ninguém. Tenho-te e perco-te em questão de horas, mas ainda assim não tens culpa – que tanto te assola. Apaixono-me, todo dia de novo. Mas sou eu que valorizo a tua boca perfeita, a tua mão delicada e o teu sorriso suave. Tu não fazes nada, que não ser tu mesma, e eu sou o tolo que vê beleza em cada palavra que sai de ti. Eu que crio essa necessidade de te ter ao meu lado, seja encostada no meu colo – reclamando de idiotas – ou beijando-me a boca com gosto de champanha. Eu que te aceito, quando podes, quando queres. Insisto, mesmo doendo o peito a cada vez que mentes ou que foges de mim. Tu nada tens a ver com isso, fui eu que quis assim. Mimo-te e alimento o teu egoísmo, que aceito e acho graça. Tu não és a vilã, crê. Mas eu sou o herói.