Archive for 'London'

Maldades, minúcias e mesquinharias.

Não era birra. Eu realmente preferia cruzar as pernas, me sentia mais à vontade, ainda que deitado. Não me lembro de ter feito nada de propósito, para irritar digo. Não tenho tempo para maldades, minúcias e mesquinharias. Não tenho tempo para pensar no que possa ou não te ofender. Acordo cedo, durmo tarde para termos o pão na mesa — o pão que eu mesmo faço. Ando rápido, falo rápido, passo por grosseiro. Sou directo, sou assertivo. A cada segundo que perco com trivialidades eu ouço um tic-tac ensurdecedor, como se eu fosse morrer em poucos dias e estivesse perdendo tempo na fila do banco. Dói-me e enlouquece-me, como a falta que tu me fazes.

B&W

Tinha mais animais de estimação que amigos, tinha mais livros que discos. Mais fotos que lembranças. Nunca fora convidado a qualquer festa. De forma que quando ele fez a sua propria, foi maravilhosa, estranha e incrível. O convite era uma carta, pessoal, exclusiva. Assinada com rubrica e sentimento. No meio da semana, no meio da tarde. Jovens semi-nus, cachorros e canapés. Damas com cigarrilhas e vestidos longos, rindo alto e descalçando-se esparramadas ao sofá. Gordos, magros, negros e chatos rindo, sem mesmo ter tido chance de alcançar o bar. A casa toda, o jardim, o segundo andar. A banheira, hora com uma garota de cabelos curtos, hora, com garrafas vazias de champanha. A piscina. Tatuagens e perucas. A falta de culpa, a falta de vergonha e a falta de perdão.

Subo ou desço

Não foi uma cerveja que tomei, ainda que importada. Não foi afeição à pessoa ou mesmo à idéia. Não mesmo. Foi o desespero. Ou melhor foi o medo, o pavor de não saber absolutamente nada do que aconteceria. Nada. A falta de uma bússola, fosse ela magnética ou ideológica. Eu não sabia o que eu queria, o que seria de mim e como seria o dia seguinte. Eu nem mesmo apostaria as parcas moedas que tinha no bolso que o sol nasceria em algumas horas. Eu não sabia, não sabia mesmo. E pensando bem, ainda não sei.