Sete

Durmo sete horas toda noite. Sete horas, não preciso de cronômetro, tampouco de despertador. A matemática fica perversa quando eu estou acordado. Não fico acesso por dezessete mas sim por dezesseis. O meu dia tem 23 horas e não adianta reclamar. Se hoje eu durmo às dez da noite, amanhã eu durmo às nove. Depois às oito e então às sete, até que no meio da tarde eu preciso dormir. Mas não tem problema, pois em sete dias eu já estou indo dormir pela manhã. E depois de madrugada. Isso me gera uma miríade de peculiaridades e uma vida diferente. Tenho quinze dias a mais no ano, todos mal aproveitados. Acordo em horas incomuns, onde não tenho a quem dar bom-dia. Durmo em horários em que muitos estão no dentista, ou açougue. Não há desordem, a matemática não falha. Mas o mundo tem outra conta e acha que a minha está errada.