Cura a dor.

Hoje ao acordar eu percebi uma coisa. Eu nunca te vi errar, vacilar. Eu nunca te vi fazer alguma coisa que a minha tão clamada inteligência condenasse. Acho que isso ajudaria, definitavemente, a te tirar desse pedestal que eu te pus sabe lá porquê. Tu estavas em um outro país e disseste que tivera um dia cheio. Sentamos em uma cantina e tu escolheste a cadeira que olhava a televisão, passando alguma coisa do teu trabalho tão secreto. Pedimos uma pizza daquelas mal feitas e algo ou alguém nos interrompeu. Era algum tipo de mágico, ou membro de uma seita, algo assim. Eu pulei da baixa janela do restaurante em cima do sujeito, que subia em um cavalo e segui com ele para uma estrada de terra, tentando desesperadamente enforca-lo com um colar invisível – até que eu consegui! E foi nesta hora que eu te vi de novo, vindo atrás de mim com a tua amiga, e também a cavalo. Tu disseste alguma coisa bonita sobre o que eu fiz e me disse que ia me ajudar a desmascarar o sujeito.

Eu ouço melodias que toquei para uma mulher qualquer, sem nenhum escrúpulo, e acho que imagino o teu cantor favorito nelas. Eu discuto com pessoas que nunca vão te substituir e tento, sempre, não acordar dos sonhos que tenho contigo. Acho ainda que um dia eu enlouqueço, mas antes disso eu consigo te ver errar. Mas errar de verdade, não como no dia que te vi partir.