Entra, que eu entro depois.

Enquanto tu vês a tua vida ser tomada por mentiras, traições e decepções eu sigo te esperando. Eu lido com gente que não se aceita, com mulheres carentes e com intrigas adolescentes. Eu não mereço isso, e tu muito menos. São meses, são anos, esperando para ouvir outra vez a tua risada dedicada. Para ver os teus olhos de avelã me olhando com atenção, e eu fingindo estar tranqüilo. São anos de estórias que não mudaram nada entre a gente. Nós vivemos, e vivemos e vivemos, mas não se passou um só dia. Só havia a saudade, e talvez por causa dela, tu estiveste no meu peito por tanto tempo, tão próxima, tão intima. São anos sem as tuas pernas sobre as minhas, sem o teu cigarro na minha boca. Anos sem as gentilezas que tu dizes ser viciada, mas que nada mais são que o reflexo da minha adoração por ti. São anos sem eu olhar para o lado, e, ao ver-te, saber que a vida vale a pena.