Essa é para quando você se esquecer de mim.

Essa é para quando você se esquecer de mim, assim mesmo, bem simples, bem popular, como em uma canção que toca na rádio. Bem coloquial, diferente de como tenho escrito desde que eu descobri para que serviu a biblioteca que meu pai me deixou de herança – devidamente lida, por puro ócio e inadequação adolescente e infantil. Esse texto é para quando eu estiver longe por tempo suficiente para que você tenha esquecido do quanto eu tentei te agradar, te amar e te comover. Aliás te fazer sorrir. Acho que se eu tive alguma importância na tua, perdão, na sua vida foi ter tentado insistentemente e muito eficientemente ter te feito rir (não consigo escrever uma carta de amor na terceira pessoa, apesar disso estou tentando – desculpe os erros). Ter te lembrado todos os dias o quanto você é mais importante que você achava que era – para mim e para o mundo. Ter te mostrado o quanto uma convivência, perfeita como a nossa, era possível, sem brigas ou discussões, sem perdas de tempo.

Essa é para quando você estiver com outro. Alguém que te faça rir, alguem que te faça feliz. Essa é para que você lembre o quanto eu te quis, para que você saiba o quanto foi amada. Essa é para quando você quiser se lembrar quem foi que te mostrou o quanto você vale, e que talvez tenha te perdido por isso. Por pura pobreza.