Estragão.

Eu achava graça quando alguma pessoa querendo a minha aprovação, geralmente insegura, começa a me perguntar o que eu acho das coisas antes de emitir a própria opinião. Quando são homens, querem achar o que temos em comum. Quando mulheres, elas querem empatia pelo meio da critica, querem descobrir algo que detestamos juntos. Sempre sorri quando a conversa chegava nesse nível, depois da meia duzia de porradas que eu dava nos conceitos mais pessoais e solidos da vitima, fazendo-a se envergonhar das próprias palavras. Ai vem um silencio efemero, e logo depois o milagre. Cada frase que sai da boca da pessoa foi repensada 3 vezes, ensaiada na hesitação. Eu não acho mais graça nessa dança toda, mas ainda danço. Parte por costume, parte por uma moral esquisita – eu acho que estou prestando um serviço a criança, mostrando a ela que o mundo não é branco e preto, que as coisas não são bem como elas pensam. Que nada realmente importa. Pois bem. Depois de tanto tempo sendo esse professor poderoso, esse alvo de inveja, admiração e repulsa, eu descobri uma coisa. Não tem graça pular fases. Não tem graça aprender sobre a propria miseria em meia hora. Não tem graça não errar, não falar bobagem, não gastar o primeiro salário em algo inútil e caro achando que o mundo vai te olhar com mais interesse. Eu percebi que eu sou um estraga-prazeres.