Fanta Zia Light.

Chego em casa no começo da noite e preparo um chá. O telefone toca, mas eu não ouço pois pus o ringer no volume baixo para não ser acordado por amantes carentes na madrugada, e o som do microondas esquentando a minha caneca o abafa. Rasgo um pacote de Twinnings de lima e adoço com algumas gotas de Assugrin – não ponho açucar na boca há anos, desde a matéria da BBC. Trago a caneca laranja com a infusão para a sala, quando vejo a bagunça que os meus amigos fizeram na noite anterior. Mexo o mouse e o monitor liga sozinho. Há uma mensagem, diz-me o GoogleDesktop. Não faz muito tempo que o chequei pela ultima vez, deve ser alguma promoção do Submarino ou da Amazon. Gmail. O email é teu.

Decidi terminar mesmo. Você não sabia mas já não estávamos bem. Chego no Rio ás 22:36, se a Varig deixar. Não sei o que fazer hoje a noite, você tem alguma idéia?

Gelo. Rio, timidamente. Olho para o lado e uma mesa com um baralho jogado e várias gimbas de cigarro num cinzeiro super-lotado. Penso. São 8 e meia da noite e o Gmail diz-me que o email foi enviado há 23 minutos atrás. Bom. Deixa eu ver. Abro meu celular e mando uma mensagem – Vem para minha casa. Message sent.

Onze e pouco. Sala arrumada. Banho tomado. Brut gelado no meu freezer poderoso. Toca a campainha. Abro a porta. És tu, com uma mão na parede, com o rosto meio de lado, o cabelo caindo um pouquinho na testa, e o sorriso de lado mais delicioso que eu já vi. Eu não digo nada, respiro, e te puxo com calma. É ganho o melhor beijo que eu já tive na minha vida.

Tu jogas tuas bolsas no chão, meio no caminho. A tua mão direita no topo da minha cabeça, se enroscando por trás da nuca, como uma cobra, não me deixando parar de beijar-te. As minhas te segurando pelos quadris, te puxando para mim, e ao mesmo tempo te equilibrando enquanto tu andas de costas em direção ao quarto. A tua mão esquerda, que até chegar lá estava apalpando as paredes, me afasta de ti pelo peito, e tu notas meu coração batendo forte. Abro os olhos e te vejo sem vergonha, rindo ainda, e pulando de costas naquela que vai ser a nossa casa pelas proximas horas. Eu tiro teu scarpin. Pego nos teus pés com força e tua cabeça se vira violentamente, dedo anular na boca, mão direita agarrando os lençóis com força. Tuas pernas me confidenciam que estás sem calcinha, quando uma delas faz a mini-saia subir um pouco. Subo na cama, como um gato, e chego ao teu ouvido, para mordiscar-te o pescoço… E, enquanto desabotoas a minha camisa e puxas o meu cinto com uma certa pressa, decides sussurar a frase que muda a minha vida naquele exato momento, e para sempre.
‘Preciso de você’