Faz-me um sujeito melhor.

Olha que coisa curiosa, a cerveja que tu te vanglorias de beber, que custa 20% mais caro que as outras e que só se encontra em bares seletos é, na maioria das vezes falsificada – servem-te uma tal, mais barata que a mais barata, sem marca conhecida entre os teus. Os teus tênis, que foram comprados em um shopping da moda, com piso de mármore e estacionamento caro, são os mesmo que foram rejeitados pelos públicos mais exigentes e desviados para ti – só para ti. Teu celular que custou mais que o que tu ganhas por mês mas que aquele cartão de crédito que conseguistes na faculdade e que ainda usas te permitiu comprar em tantas vezes, hoje custa lá fora menos que o teu velho, que destes para a tua empregada para dormires melhor a noite. E digo mais, na tua ultima parcela olharás para ele sentindo-te envergonhado por ter um objecto tão desatualizado. Tua vida é feita de pequenas farsas economicas que te fazem sentir mais importante, onde eu, secretamente, acompanho e rio escondido. Não porque tenho vergonha de ti, mas porque tenho medo que a brincadeira acabe e que o meu prazer tão vil e mesquinho caia por chão fazendo da minha vida um nada.