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		<title>A vida é o que acontece enquanto não se está a fazer anos.</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 06:55:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Todos olhando para ti, sabes? De um jeito meio maldoso, julgando-te, negando-te. Não sei explicar. E não é algo que me veio às tripas, não sou complexado. Era real, chegaram a apontar e tudo o mais. Coisa muito ruim. Uma energia que não harmonizava com a excitação que me apossou nos dias anteriores ao evento. Nada de glamour, nada de elegância, umas pessoas definitivamente mal intencionadas, outras desinteressadas e apáticas. Todos sem exceção vesidos de preto. Todos mascarados, e com um ar de superioridade, como se fosse os donos da festa. Eu sabia que não ali não era o meu lugar, mas como <strong>eles </strong>sabiam? Eu tive vontade de sair dali e ir para uma loja de discos - onde sempre me sinto muito bem - mas estava sem dinheiro. Quase te liguei. Não sabia que já tinhas voltado do teu retiro, na praia. Acabou que eu nem aproveitei muito, as minhas expectativas foram por água abaixo e quando a encontrei, não tinha mais vontade de nada.</p>
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		<title>Nunca pensei.</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 06:20:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de já ter passado por tudo isso antes eu ainda me sinto um novato, ainda não sei o que fazer. O que eu sei é que temos que seguir a intuição. As pessoas não mudam, já dizia a Srta Keys. Eu não posso perder o que há de melhor em mim esperando pelo dia em que eu vou convence-la a dar o que eu espero dela. E por melhor de mix não estou falando da minha juventude, das minhas ereções ininterruptas, ou do meu dinheiro. Mas do resto da minha inocência e do grama e meio que ainda me sobra de romantismo. Estou falando do choque que sinto ao lhe olhar nos olhos, do fervor que me aquece o peito quando penso nela. Do orgulho, da admiração e da esperança de ter uma vida que há muito havia desistido de procurar. Nunca pensei que fosse estar nesta situação. Sobre as lágrimas de sangre que chorei não vou comentar, não há porquê. Não a comparo com dores, e muito menos com os prazeres. Mas confesso que as vezes eu espero um sussurro no ouvido, de cumplicidade erótica, como aquele da pilastra, ou um simples elogio, como o que eu ouvi num daqueles taxis que eu abusava e que me amaldiçoaram. Eu gosto do jeito que tu me tratas. Eu gosto do jeito que tu me seduzes. Bastava isso.  Bastava um pedido impossível, uma surpresa. Para ser sincero bastava uma atenção.</p>
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		<title>O lar é um conceito romantizado.</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 02:28:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[O lar é um conceito romantizado, o amor é uma série de check boxes onde availiamos muito frívolamente o quanto ganhamos e o quanto perdemos nos dando à alguem. O lar é onde o seu travesseiro da sorte está, onde fica a pia onde a sua caneca favorita está para ser lavada. A gente passa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O lar é um conceito romantizado, o amor é uma série de <em>check boxes </em>onde availiamos muito frívolamente o quanto ganhamos e o quanto perdemos nos dando à alguem. O lar é onde o seu travesseiro da sorte está, onde fica a pia onde a sua caneca favorita está para ser lavada. A gente passa tanto tempo procurando por amor que às vezes esquece para que precisava tanto de um. A gente quer um para contar tudo que passa pelas nossas mentes quando os olhos fechamos. Conheço quem se preocupa tanto em perder celulites, sob o medo eterno da rejeição, quando no fundo o foco deveria ser com a quantidade de sorrisos e carinhos a gente dá e por consequencia, recebe. Esses valores que lutamos contra todo dia nos corrompem. Essa vinheta vive e morre na esperança de que alguém a leia e acorde do sonho da trivialidade e perceba que não só de acordes maiores se faz uma canção popular. Não só com o que nos dizem, ouvimos, com o que nos mostram, vemos. Não só com acertos acertamos.</p>
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		<title>30 dias para o fracasso.</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Sep 2008 07:11:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Soube que andas com uma aí que te pôe para baixo, que ri de ti. Que não te dá a atenção que mereces e que te desrespeita constantemente. São poucas as horas do dia agora, mas não acordei cedo - ainda não fui para a cama. Andei lendo sobre homens talentosos e ouvi essa tua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Soube que andas com uma aí que te pôe para baixo, que ri de ti. Que não te dá a atenção que mereces e que te desrespeita constantemente. São poucas as horas do dia agora, mas não acordei cedo - ainda não fui para a cama. Andei lendo sobre homens talentosos e ouvi essa tua história, entre o sibilar das páginas viradas pelos meus dedos curtos e grossos. Alguem me sussurrou. Alguém me disse que tu tens um mês entregue á tua própria sorte para fazê-la perceber que estás definhando. Sorte meu caro, sorte. Um mês pode não parecer nada mas forma hábitos. Conta para ela que sabes de tudo, conta que sabes dos seus complexos, conta que sabes dos seus medos. Conta quais as coisas que tu dissestes e que são inverdades, joga limpo. Meta as fuças dela suas mentiras e verdades, fale das que foram, e fale das que ainda vêm. Eu, teu amigo, te dou um mês. Um mês, depois, não te aborreço mais com cobranças, ok? Mas diga a ela que não mais queres alguém que só observa, mas que não participa.</p>
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		<title>Eu não o convidei, não venha.</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Sep 2008 02:29:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Diga a ele que eu não gosto de ninguém. Diga que me irrita muito a sua capacidade de ser o mesmo sempre, não importam as mudanças climáticas, não importam as mortes. Sei lá, inventa uma desculpa. Diga que eu o acho chato. Diga que eu não tenho tempo para pessoas que não querem ser melhores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diga a ele que eu não gosto de ninguém. Diga que me irrita muito a sua capacidade de ser o mesmo sempre, não importam as mudanças climáticas, não importam as mortes. Sei lá, inventa uma desculpa. Diga que eu o acho chato. Diga que eu não tenho tempo para pessoas que não querem ser melhores, que não tenho paciência para quem está estagnado mentalmente. Diga isso, estagnado mentalmente. Ou diga que nunca fui muito com a cara dele e que eu não admito traições. Isso parece pesado, não diga isso não. Até porque admito, não admito com ele pois não vou com a sua cara. Diga o que quiser, numa boa, mas lembre-o que é pessoal.</p>
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		<title>A experiência maléfica</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Sep 2008 17:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Há um filme com o Johnny Butter em que se conta a história de um italiano pobre, que passou a vida comendo arroz, e que um belo dia comeu risoto, talvez por caridade de alguém. O sujeito não conseguiu mas suportar a idéia de voltar para o arroz. Assim é a experiência maléfica, onde tentamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há um filme com o Johnny Butter em que se conta a história de um italiano pobre, que passou a vida comendo arroz, e que um belo dia comeu risoto, talvez por caridade de alguém. O sujeito não conseguiu mas suportar a idéia de voltar para o arroz. Assim é a <em>experiência maléfica</em>, onde tentamos algo que sabemos que será insuportavelmente maravilhoso, e que há uma grande chance de não mais conseguirmos viver sem o resultado. Assim são os dois. Ousaram frases românticas, posições selvagens e conversas fantasiosas, sempre com resultados fantásticos. Talvez o pragmatismo dos dois cante que esse sentimento, tão vivo, tão forte, e tão prazeiroso, é o que os mantém e os manterão para sempre unidos, e felizes. Mas a <em>experiência maléfica </em>passa dos limites e sabe que a causa não é a audácia sexual. E os dois não tem qualquer chance de serem felizes sem um ao outro por um outro motivo. Porque o que eles veêm quando fecham os olhos, o que sentem quando desejam, quando almejam, não mais pode ser alcançado sem que os dois se toquem, dizendo com o corpo &#8220;estou aqui, vai dar tudo certo&#8221;.</p>
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		<title>Jujubas milenares.</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 20:55:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu tento manter o teu lado infantil, que tanto me fascina, vivo, de várias formas. Essa terceira personalidade, depois da alta executiva e da amante mais fogosa que um homem pode ter. Essa criança que foge com os olhos por timidez das coisas mais triviais, sorrindo e admitindo vergonha. É o cachorro que te trouxe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tento manter o teu lado infantil, que tanto me fascina, vivo, de várias formas. Essa terceira personalidade, depois da alta executiva e da amante mais fogosa que um homem pode ter. Essa criança que foge com os olhos por timidez das coisas mais triviais, sorrindo e admitindo vergonha. É o cachorro que te trouxe do interior do país, numa tarde chuvosa e que sujou nosso sofá no seu primeiro minuto em casa. Ou o armário em forma de sarcófago egípcio que temos na sala, repleto de balas, revistas e dvds de comédias romanticas. São essas pequenas coisas que eu apoio só pelo prazer de ver o brilho nos teus olhos lindos. Só pelo prazer de ver os teus dentes me ofuscando de tão brancos e grandes&#8230; As vezes eu misturo as coisas, te ligo numa reunião dizendo o que farei contigo a noite, ou trago jujubas milenares para a nossa cama, e te ofereço enquanto te chupo violentamente. Eu nunca vou precisar de outra mulher pois tenho todas em uma. E tu nunca vais precisar de outro homem, uma vez que nunca vais me entender por completo.</p>
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		<title>Cadeira de balanço.</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Aug 2008 06:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Canto pelas ruas de um subúrbio como se  não soubesse que a minha voz arranhada incomoda a tantos. Canto alto, pulo e danço enquanto paro numa vitrina - mas rapidinho, pois volto a pular. Penduro-me nos postes como Gene Kelly e ajo como se não houvesse ninguem nas ruas. Mas há, e me observam. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Canto pelas ruas de um subúrbio como se  não soubesse que a minha voz arranhada incomoda a tantos. Canto alto, pulo e danço enquanto paro numa vitrina - mas rapidinho, pois volto a pular. Penduro-me nos postes como Gene Kelly e ajo como se não houvesse ninguem nas ruas. Mas há, e me observam. Minhas meias de cores gritantes, meus cabelos esvoaçantes e despenteados e minha animação irritante. As vezes grito mais alto quando vejo que me percebem de soslaio, só para que a pessoa fique sem graça de me olhar. Adoro isso, fazer com que as pessoas traiam seus próprios valores. Compro uma fatia de pizza, dessas gigantes, bem gordurosas, e continuo o ritual cantando com a boca cheia, segurando-a com uma das mãos levantadas, e acenando para crianças com a outra. Elas vibram ao me ver, dentro do carro dos pais, que dirigem apressados. Não uso walkman, ou iPod. Canto o que me vem na cabeça, na lingua que eu quiser, mesmo que eu não a conheça. Canto músicas tão antigas que não sei se realmente existiram. Mas todas contam a mesma história, e no refrão eu sempre desafino.</p>
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		<title>Sobre o tempo em que fazíamos mix-tapes.</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 03:37:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Eu sou do tempo em que se agradava alguém com um mix tape. E por anos, a pessoa presenteada tinha aquele bem precioso, decorava a ordem das musicas. Por anos ela cantava a primeira linha de uma musica qualquer sempre que outra, que a precedia na fita, acabava na rádio. A fita se tornava um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sou do tempo em que se agradava alguém com um mix tape. E por anos, a pessoa presenteada tinha aquele bem precioso, decorava a ordem das musicas. Por anos ela cantava a primeira linha de uma musica qualquer sempre que outra, que a precedia na fita, acabava na rádio. A fita se tornava um peça só. Como um filme, com partes tristes, felizes, tensas&#8230; mas que faziam sentido unidas na ordem que o editor nos mostrou. A fita cassete não existe mais, eu sou de uma outra época. E eu fico imaginando como eu faria um mix tape hoje em dia para agradar quem eu quero tão bem. Não estou falando de técnicas, que há décadas atrás eram basicamente voltadas para o manejo dos botões rec e pause. Estou falando da atmosfera que eu quero passar. Chamavam-me de louco nos anos 60, quando eu ia aos cinemas nos subúrbios de Paris ver filmes em línguas que eu não entendia, sem subtítulos. Eu gostava de sentir o clima do filme. Gostava de ver como o filme me fazia sentir.</p>
<p>O meu mix tape de hoje se eximiria da contemporaneidade. Se eximiria de referencias, estragaria qualquer expectativa de reconhecimento. Sons variados, sem sentido aparente. Comerciais turcos, gritos de felicidade e horror e rádios sovieticas cujas transmissões ainda navegam no ar depois de décadas, segundo os físicos. Músicas dissonantes, em rotações diferentes, ao contrário, distorcidas ou muito baixas, como um som de vento leve, que ouvimos na quinta que temos em Nice. Versões alternativas, que não deram certo, que nunca sairam&#8230; Instrumentais com a minha voz por cima, dizendo que tudo vai ficar bem. O meu mix tape se eximiria de qualquer sentido lógico, tal como a paixão. Tal como a distância.</p>
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		<title>Peter Zarustica visita Las Vegas - Parte 02</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 23:12:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peter Zarustica</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Saio do banho disposto a me divertir pois eu sei que os próximos dias serão de pura tensão. Ela está deitada, acho que adormeceu finalmente. Volto para o closet abotoando uma camisa e visto o terno azul claro que denuncia que não sou daqui - não pela cor pálida e pouco usual, mas pelo seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Saio do banho disposto a me divertir pois eu sei que os próximos dias serão de pura tensão. Ela está deitada, acho que adormeceu finalmente. Volto para o <em>closet</em> abotoando uma camisa e visto o terno azul claro que denuncia que não sou daqui - não pela cor pálida e pouco usual, mas pelo seu corte, com lapelas curtas e sem bolsos. Faltam as meias, ei-las, e os sapatos. Ah, falta também um lenço. Se houve uma coisa que o meu pai me ensinou além de tudo sobre especulação imobiliária foi a necessidade de um lenço na vida de um homem. Sento-me num banco que parece feito para os pianos de Elton John e meus olhos pegam um brilho, de soslaio. Eu me agacho e vejo que é a chave que vim carregando com todo o cuidado desde a França, numa boceta <em>Louis Vutton </em>tipo <em>necessáire</em>. O que ela estava fazendo no chão? Olho para a bolsa maior, e vi a tal <em>necessáire </em>dentro dela, fechada. Estranho. Volto os olhos para a cantora, que, desinibida, dorme o sétimo sono, com as pernas abertas, mostrando uma depilação que parece ter sido feita em Miami - mas foi feita por ela mesma, na minha presença, ontem a tarde. Bom, não há muito o que fazer, ponho a chave no meu pequenino molho preso às minhas calças com uma mini-algema e saio do quarto. O sapato não é virgem, mas está lustrado, e nenhum idiota pode questionar o meu cacife neste hotel. Acho até que passarei as próximas horas sem gastar qualquer tostão - o estilo de gestão hoteleira americana me poupa qualquer trocado caso achem que eu estou disposto a perde-los sem esforço no <em>Bacarat</em>. Pois, não me importa, aperto o botão do elevador com um sede de champanha que me faria pagar qualquer conta por algumas taças d&#8217;ouro líquido. As portas se abrem, são dois sujeitos meio deslocados, meio adolescentes. Eu entro no elevador, e quero fazer uma piada como de costume, mas eles estão com <span style="font-style: italic">iPods </span>e eu desisto sem tentar. O que me lembra, tenho que silenciar o meu celular.</p>
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