Foste amada.

Decerto que me pergunto o porquê do teu sorriso incessante quando fala comigo, mesmo depois desse tempo todo, mas tenho uma ou nove teorias que promovem meu ego um pouquinho. Mas não te questiono, não te confronto. Eu deixo acontecer, e procuro por sinais de que me provariam que eu seria aceito de volta à tua cama. Mas a minha amizade é sincera, te quero bem. Não te cumprimento por interesse — ainda que eu guarde o nosso quente passado em cenas gravadas na minha mente, não misturo as coisas. Trato-te como se entre nós nunca houve nada, nunca vi teus mamilos duros, nunca te fiz tremer nos meus braços. Guardo essa memória para momentos muito íntimos, onde me permito pensar nas poucas tardes em que eu te tive. Nunca dividimos contas, nunca acordamos um com o outro. Nunca tivemos esses apelidos de amantes, ou mesmo uma vida juntos, mas tu foste amada. Não fizemos tatuagens, não nos declaramos em Roma. Não brigamos por ciúmes, mas tu foste amada. Ainda que por algumas tardes, quando eu te fazia sorrir incessantemente.