Las cores de la revolución!

Eu lavo bem uma garrafa de Fanta Limão, e seco com aquela flanela que ficava no chão do teu carro, lembras? Louise vem com um balde de querosene. Ela furtou da casa que agora não é mais nossa, mas dos franceses filhos-da-puta que nos processaram sem dó. Eles dormiam e ela foi até a churrasqueira, perto do riacho. Acho. Era lá que ficava não? Pois eu encho a garrafa e depois ponho parte da tal flanela para dentro dela. Tampo com a rolha da ultima champanha que tomamos, um pouco antes de morreres, minha amada. Acho que uma semana antes. Tua filha ainda não entende o que eu faço, mas me trouxe o combustível que está aqui, nas minhas mãos. Repito todo o processo com outra garrafinha, desta vez de Mineirinho. Esta, ao contrário da outra, não tem aquele ponto fraco embaixo, que tanto nos ajudou a não precisar ir até o hospital quando nos excedíamos no sexo. Tu te recordas que foi o teu pai, austero, militar e médico, que nos disse no jantar, com horror, o porquê daquela bolinha afundada na base do casco? – e que foi nessa mesma noite que, no quarto que me deixaram dormir, um tanto assombrado, tu apareceste com uma delas e um pote de manteiga, revolucionando o que eu entendia por coito? Pois ainda bem que não gostavas de Mate-couro, como eu, pois teríamos problemas com esta daqui. Eu uso agora como pavio a camiseta estragada, depois que tentei rasga-la na nossa primeira noite, querendo me fazer de forte, e que guardo até hoje. Todos esses anos ela me foi um símbolo da minha tolice, e agora eu a uso para deixar de ser otário. Louise continua sem entender bem, mas ela confia no pai – sempre o fez, como tu. E de posse do meu zippo, agora cheio como explicou um amigo no bar ontem – onde eu bebia à falta tua – eu parto para a casa que teu pai construiu. Que espero que lamba com o mesmo fogo que tu, lá dentro e por tantos anos, me lambias.