Mesmo que eu não esteja mais aqui.

Sempre que eu chego em casa, sem a tua mão nos meus dedos, eu ouço a música da Tootsie. Ouço dentro da minha cabeça, aquela grande, velha e com senso absoluto de música. Ouço essa música que diz para mim, olha, foi mais um dia puxado, mas esse apartamento que você entra sozinho, que é pequeno mas é só seu, é o símbolo da sua vitória que um dia há de chegar - aquelas coisas. Sempre que eu chego em casa, sem a minha nuca molhada pelos teus beijos no taxi, eu penso no dia em que vou te ter de novo. Na noite que vais suar a minha cama, mesmo no ar-condicionado. Na manhã que vais me acordar com um beijo e que vamos, sinceramente, assistir a um belo filme sem que as minhas mãos escorreguem pelas tuas curvas. Mesmo que não acabemos o tal filme, quero tentar começar a vê-lo, com afinco. Quero acreditar.