Naomi e a noite mais bizarra da história.

Era eu de mãos dadas pela primeira vez com Naomi. Eu a tivera nos braços várias vezes, saíramos juntos por toda a cidade e por várias vezes ela me confortara na minha cama gigante. Mas desta vez era diferente, estávamos juntos, com um casal mesmo. Compramos uma vodka supervalorizada numa delicatessen e atravessamos a rua para uma festa desconhecida. Eu recebera o convite por engano, pois acabei de me mudar. Era o aniversário de uma pessoa muito amiga do casal que alugava o meu apartamento antes de mim. Eu achara o convite inusitado – impresso em branco num papel branco, tive problemas para lê-lo, tive que inclina-lo contra a luz – mas não achei que devesse ir, afinal, não era eu o convidado. Mas uma ligação que recebi da minha amante, horas antes da festa, mudara a minha mente. Ela iria a mesma festa, conhecia a homenageada, e achava que não haveria qualquer problema se eu fosse. Naomi se animara e me convencera com a sua cabeça entre as minhas coxas. Pois estávamos na porta do prédio da festa, quando três atores muito conhecidos entraram pelo mesmo portão, carregando um saco de plástico da loja de conveniência que há ali por perto. Cheiravam mal, e pareciam cheirados. Desaceleramos, eu e Naomi, para não termos que segurar a respiração no elevador que possivelmente compartilharíamos. Tentamos até, quando eles passaram pelo porteiro, começar algum tipo de conversa, como se houvesse dúvida, para que fôssemos deixados para trás. Mas não adiantou, pois o elevador demorou para chegar ao térreo, e lá estavam eles. Eu sabia que ao apertar o botão do mesmo andar algum papo constrangedor iria me tirar do sério, e então decidi ser pró-ativo. Puxei conversa ao entrar, perguntei se iam para a mesma festa que nós e a resposta foi péssima. Nós somos a festa, o mais baixo disse, com um sorriso amarelo, um sotaque nordestino e uma semente de papoula na gengiva. Eu olhei para ela, e seu sorriso me mostrou que estava tudo bem.