O Rei Do Pecado.

O tempo passa, sinto as conseqüências. Eu vivo cada dia como se fosse o último. Como os brasileiros, eu tenho certeza da impunidade. Como as brasileiras, gostoso. Enganei-me a vida toda achando que o tempo ia diminuir a minha sensibilidade, transformar-me em um cínico. Não o fez, não o fará, ao contrário. O preciosismo pela paixão, a necessidade da identificação na outra metade, a fé de que será eterno… é isso que me move, e este sentimento refina-se a cada noite que passo me sentindo especial por não desistir de ser eu mesmo. Não me vulgarizo, divido bem o que é diversão e o que realmente tem valor para mim. As duvidas sempre continuarão, mas talvez elas deixem de me tirar o sono. Os medos também, eles me ocupam os sonhos, e uma metade das noites em claro. A outra é preenchida por ti, onde quer que tu estejas, representada no corpo de alguma dama que bebeu demais ou que gostou da minha barba imponente. Eu peco, sim, mas nos excessos, por obsessões particulares e por amar demais. Eu peco por falar a verdade, sempre, para quase qualquer pessoa. Eu peco, pois, às vezes minto para mim.