Ode aos Amantes Bohemios.

Dias desses eu te contei sobre o quanto cada frase que tu me escreves me arrepia, e é sobre isso que eu deveria estar escrevendo agora – sobre esse arrepios, talvez sobre essas frases. Talvez eu devesse satisfazer as tuas dúvidas instintivas, sobre sexo, sobre o quanto eu te desejo – eu admito que poderia ser mais safado nas letras que te componho. Mas tem uma música me ecoando nos tímpanos, com uns acordes bonitos, que me fazem pensar em outra coisa em que também já conversamos, a rotina. Eu andei sonhando sobre algumas coisas que eu gostaria de ter e ser quando eu era garoto e eu acho que gostaria de falar contigo sobre elas. Eu assobio na rua canções de outras pessoas, e as vezes penso em ti – e quando estou no meu piano eu toco notas que me aparecem sem razão e que me fazem pensar que talvez tu sejas a pessoa mais indicada para assobia-las. Eu tento, sem sucesso, diminuir as coisas que eu tenho para te contar, bem baixinho, bem perto do teu ouvido rosado, com uma das mãos te acariciando o cabelo e a outra te puxando, de leve para mim, pelo teu pescoço branquíssimo. Mas é inútil e as vezes eu acho que ao tentar reduzir a quantidade de coisas que eu tenho para te mostrar acabo aumentando as perguntas que eu tenho para te fazer… Já te escrevi várias vezes sobre vários assuntos, e sempre tentei te trazer para mim. Ainda que eu saiba que, mesmo esquizofrênicamente, tu já és minha, eu não paro de te chamar. E quando tu puderes estar do meu lado toda manhã de domingo, fingindo que não há dia de semana e que Nutella não engorda, acordando de mansinho, aos poucos, com as pernas entre as minhas e a boca pertinho da minha nuca, eu vou me virar, de modo que os nossos narizes virem amantes e vou te contar uma história. Uma história que conta o quanto eu te quero todo dia da mesma forma e sempre de uma maneira diferente.