Os melhores do mundo.

Nós nos sentimos mais fortes porque humilhamos quem nunca teve a chance de se expressar. Lutamos contra a crueldade dos animais, mas somos piores conosco mesmos, pois abusamos da nossa genitália para que em mesas de bares caros possamos nos sentir mais desejados. Abusamos do nosso corpo para não sermos confundidos com alguém que coma algo mais que uma salada. Gostamos de gastar 10% do nosso salário em restaurantes que nos distinguem dos outros pobres pobres mortais, mas o fazemos desejando secretamente um hamburger bem vagabundo, bem gordo. Nós deixamos de fazer o que queremos para ter um guarda-roupa que diga aos outros que nós somos bem sucedidos, e os outros, mesmo fazendo o mesmo, acreditam. Falamos mal de quem rouba, ou furta, mas somos os primeiros a burlar as regras quando necessário. Reclamamos da violência mas a sustentamos, comprando drogas, subornando policiais e, claro, comprando por 5 reais jogos de aparelhos caríssimos, quando não adquiridos no contrabando. Nós julgamos quem é vulgar, ignoramos as meninas da praia de Copacabana a noite, mas agimos como elas na cama. Somos os melhores do mundo, mas à noite, quase todo dia, pensamos no que fazer contra nós mesmos para que os outros achem que temos o que nós sabemos que é impossível ter. Não, não é uma tevê de plasma, nem um celular perolado. Nós somos os melhores do mundo em fazer os outros acreditarem que temos felicidade.