Over the top.

Outro dia acordei com uma sensação estranha. Acordei me sentindo mais sábio. Sem petulâncias, sem exageros. Acordei percebendo coisas, muitas coisas, de uma tacada só. Sobre a simplicidade de algumas eu confesso que me interessei mais. Sobre como as coisas são mais simples que aparentam. Acho que de todo, muito pouca coisa se salva. Muito pouca coisa merece preocupação. Descobri que não vivo tanto no passado como eu achava, mas o utilizo como referência em tudo. Não há nada de errado nisso. Nada.

Há fatos que ocorreram em certas vidas que não devem ser comentados. Sobre estes eu tenho predileção, curto revisita-los na minha cabeça, como um esquizofrenico fofoqueiro. Encanto-me em recriar as estórias, as razões, os desfechos – e por muitas vezes minhas participações. Não há maior tabu que o da mentira, uma palavra carregada mas tão vital quanto a verdade. Sempre tive na mentira um aliado, e acredite, odeio mentir. Mesmo o fazendo, detesto. Mas eu vejo a mentira de uma forma mais versatil do que muitos – as vezes como entretenimento, as vezes como uma realidade alternativa. Eu soube a pouco a causa dos meus flertes inúmeros como moças de corpo estreito e moral larga. Não a causa – digo melhor assim – o porquê, desta busca tacitante. E assim que eu soube a razão essa volatilidade perdeu a graça. Assim como perdeu um pouco da graça ficar pensando como teria sido.