Peter Zarustica visita Las Vegas – Parte 01

Ei-lo, o hotel. É doirado, brilha, mas não tem o luxo que estou acostumado na Europa. Vejo uns mancebos tentando fotografar a minha companhia, e tenho certeza que é por minha causa. Não pelo meu ego inchado, mas pela situação. É a primeira vez que me permitem visitar os Estados Unidos da América, depois do caso da mala, em 1987, e acho que o mundo tem interesse em quem está comigo. O que diabos estava acontecendo? Onde eu estava com a minha cabeça naquela época? Enfim, o fato se resume a mim e quem me acompanhava naquela noite e uns magrelos que nos perseguiram desde o aeroporto com câmeras digitais. Ela achava que era o alvo dos paparazzi. Eu sabia que não. Ela era uma cantora em plena decadência que ainda tinha delírios de grandeza. Eu a conheci em Dormans, no fim de semana que passei caçando patos com o meu amigo Julio Iglesias. Furei o olho de seu filho, que paquerava a tal cantora. Eu estive longe dos mundo ocidental quando ela fez algum sucesso e não sabia direito quem ela era, mas achei que tinha um certo valor e que suava gelado. Sim. Suar gelado é altamente atraente para um homem como eu. Eu também sabia que viria para Las Vegas, e o seu sotaque me gritava ‘sou americana‘ – portanto comecei a conversa com um convite. Conversa que só acabou mais tarde na banheira do quarto de hóspedes de Julio, com vista para o rio La Marne.

Eu digo a ela, hipócrita e condescendente como toda mulher gosta. Querida, eu vou te proteger dos paparazzi. você não quer ser fotografada com essa roupa amassada da viagem, quer? Virei o jogo. Agora ela não quer ser fotografada. Seguro na sua mão como quem diz ‘espera’ e saio do carro, sozinho. Deixo os moleques me fotografarem na frente da limousine e aperto suas mãos com 3 notas escocêsas de 100 libras dobradas entre os dedos. Eles vão embora e eu sorrio aliviado para o motorista que saiu do carro em solidariedade. Aliviado pois acho realmente que se me vissem aqui com uma ex-Clube do Mickey a minha visita não passaria desapercebida em tablóides de donas de casa. Não estou aqui para comer essa garota, isso eu fiz muito na França. Eu estava ali para quebrar o maior dos cassinos do mundo. E olha, não por dinheiro, por incrível que pareça – já que minha vida parece movida a isso. Eu farei isso por vingança. Por incrível que pareça.