Quando o sangue estanca.

A gente combina dessa forma. Eu não te ligo, você não me telefona. Você finge para si mesmo que não quer que eu ligue e eu finjo para mim que esqueci de tudo que você me disse, quase chorando. Você finge que eu não sou ninguém quando te ligo e eu finjo achar normal essa sua indiferença. Eu bebo, sofro, e às vezes choro. Mas você, ridícula, se violenta negando o que sente e o que quer de verdade. Você acredita que vai vencer a tua dor, e eu me adequo a ela, e assim, tenho uma válvula de escape. Eu permito que o teu falso desprezo me corroa a alma, enquanto olho para um italiano baixinho, meio metido, patolar uma prostituta. Você me apresentou a ele, lembra, falando do nosso futuro. Não sei se foi um ato falho, mas a nojeira que ele é como pessoa me mostra o quanto a sua índole vale e o quanto o meu desespero é sem sentido.