Secreções sentimentais.

Eu passo uma segunda mão de mim mesmo na minha imagem como se quisesse dar pistas para que saibas que não sou como os outros. Minhas epifanias idiossincráticas só me fazem mais pobre e sozinho, mas ainda assim, para o mundo, têm um quê de novo – mesmo elas só servindo para me manter leal a mim mesmo. Não a ti, veja. O ranço de obviedade que cheiro quando ajo como sempre agi me envergonha, mas parece funcionar contigo. O que muda de uma hora para outra, de uma relação para outra, é o que me escapa por diversos meios. O que ainda não conseguir controlar plenamente - mas que ainda tento, e sempre tentarei - são os meus sentimentos. E essa secreção, que sai pelo olhar, numa risada ou num toque - brusco quando quero agradar e suavemente cínico quando quero desprezar – me entrega, ridículo, mostrando-me nu.