Sobre a diceminação dos meus genes neste mundo.

Não canto mulheres em boates. Não tanto pelo medo do fora, meu problema é o possível sentimento de me sentir mais um medíocre – e isso me mata. Acho que se o fizesse, mesmo com respostas agradáveis, não conseguiria me divertir. Não tenho capacidade de ser comum – demorei para entender isso. Meu sonho era ser um na multidão, uma calça jeans com camiseta branca e tenis Nike surrado. Queria ser um eleitor do Lula, queria ser um sujeito que as pessoas esquecem o nome, um cara que some e ninguém sente falta. Arde-me o esôfago quando tento seriamente – e não quero que isso continue. Essa dualidade assusta os outros, esnoba alguns desavisados, e no fundo me alimenta. Não posso admitir que haja outros seres com tamanha inadequação. Não posso ter filhos. Por isso não canto mulheres em boates.