Sobre a minha visita à Polônia de 1989. Parte 2

Não preciso descrever o coito. Mesmo que eu ainda tivesse algum orgulho dos meus moves, das minhas rotinas sexuais, da minha violênica sensual… ainda assim eu não precisaria descreve-las. Qualquer pornógrafo tem a coleção russa em dvd que me mostra em ação, qualquer putinha já me viu na tevê a cabo. Não é novidade para ninguém… mas foi para a ninfeta polonesa. E para mim também, surpreendi-me de como eu gostei de estar com ela. Sexo na saleta, sexo na cama, sexo na banheira, vinho com gás e sexo na cama de novo. Depois da quarta vez ela me fala baixinho no ouvido que está culpada. Eu pensei em desenvolver um discurso sobre moralidade quando ela se afasta e diz que foi mandada até ali para me matar. Eu ri.

Por mais charmosa e excitante que ela fosse, não conseguia me meter medo. Qualquer movimento brusco, qualquer faca, pistola ou mesmo venero seria inútil contra mim. Eu acabo com a vida dela a hora que eu quiser, entenda. Quebro-lhe os braços antes da mira me ver. Então eu ri. Parei, vi que ela estava falando sério e ri de novo. Ela me disse que a idéia era manter-me no apartamento por 24 horas, só isso. Parei. Pensei. Eu sabia o que isso significava. “Você quer morrer garota?” – disse. Ela lacrimejou.

Estávamos no crime havia 6 horas… tinhamos que sair dali logo – o andar iria explodir. Convenci Anna a vir comigo, ela morreria de qualquer forma se saísse do prédio. Não podia usar a comunicação do hotel, obviamente comprometida, e tinha certeza que não havia qualquer torre de celular numa cidade imersa em 1989. Olhei para a ninfeta, que recolhia roupas no chão e pensei por um momento que enquanto ela nascia para a vida, para o amor, e para o crime, em algums países de distancia alguem ouvia Fine Time pela primeira vez. You’re much too young… acho que já disse isso antes.

Viajei sem armas, claro, não sou hipócrita – mas fui tolo. Desde que deixei Frances que sei que as minhas chances de ser assassinado duplicaram. Desde que consegui incluir a Bulgaria na União Européia, elas triplicaram. Até mesmo tive que forjar minha morte para fugir dos Sérvios - e até o incidente na Tunísia eles estavam convencidos que eu havia morrido. Mas eu tinha que sair dali, levar comigo a garota e a idéia surgiu meio que por acaso. Olhei pela sacada e naquele fim de madrugada eu só conseguia ver o sino, estático, morto. Em alguns minutos, quatro sendo exato, o frei subiria a torre para lembrar-nos que era sete horas. Conheço os treinamentos clericais - eu mesmo desenvolvi a masturbação periniana - e sei como ele poderia me ajudar. Era um espelho pequeno no quarto que pedi para Anna segurar contra a janela, apontando para a torre. Era um zippo com a minha PinUp favorita gravada no aço que eu precisei para me comunicar com o eunuco. Esperei o momento, 1 minuto para as sete. Acendi o isqueiro. O espelho duplicou a luz. O frei olhou. Era tudo ou nada.

T-O-Q-U-E-O-S-I-N-O-N-O-R-M-A-L-M-E-N-T-E, disse no código Zulu, um que os padres se apoderaram quando aceitaram a alma dos negros da américa central no século XIX. Isso disse a ele que eu era iniciado e que precisava de ajuda. Não dava para ver se ele havia entendido, não peguei nenhum movimento, mas depois de alguns segundos ele tocou o maldito sino. Pode ter sido a minha cabeça, mas o primeiro toque foi vacilante. Na sétima badalada eu pedi por socorro.