Sobre a promiscuidade ideológica e a escravização de si mesmo por seus próprios desejos.

Num mundo onde a violência é espetáculo, o amor tem um preço e o ódio é sazonal e negociável, eu tento sobreviver com minhas idéias pervertidas. Eu acordo todo dia achando que o sonho que estava tendo é a realidade e passo algumas horas sem saber que sou tolo. As vezes tenho umas surpresas, como quando fui expulso da comunidade mais vulgar e promiscua já cometida, ou quando notei, outro dia, em um destes panfletos digitais, uma foto de uma linda garota com uma camisa simbólica dentro das minhas idiossincrasias ideológicas e religiosas. A foto me fez percebe-la, é bela de verdade, com dedos finos e labios grossos, um que de inadequação que me fascina e olhos que a mostram real, viva, com escolhas e quem sabe desejos secretos que a escravizam como os meus. O problema não é tornar-se servidor de seus próprios desejos, leia, mas sim de seus medos, eu acho. Pois sem medo eu caio na vida desta dama e vou para cama tendo a certeza que vou sonhar com a verdade sobre ela.