Sobre as respostas que a gente inventa para si mesmo.

As vezes a gente não encontra pessoas na vida que sejam cruéis o suficiente para nos contar a verdade. Eu sei que eu nunca quis ser essa pessoa. Portanto eu minto. Minto por omissão, e ás vezes dou uma outra desculpa. E não me orgulho disso, mas sem dúvida não me envergonho. Há certas mentirinhas que são comuns até a um santo, como hoje eu estou ocupado, ou mesmo você é capaz. Mas há outras que requerem um certo nível de sangue-frio, que, por mais que eu faça parecer o contrário, não tenho. Eu não quero dizer a verdade porque eu não quero ser o responsável pelo suicídio de ninguém. É nesse nível. Também há o respeito, que ás vezes é tão grande que eu me pergunto se a tal verdade calada é tão verdadeira mesmo. Mas é. E dizer por aí, pelas costas, para outros ouvidos é sim, um ato baixo e de desespero, e isso sim eu me orgulho de não fazer. Se eu não preciso do confronto eu não preciso inventar respostas para provar a mim mesmo que estava certo. Nada disso. Mas eu tenho certeza que as vezes as minhas omissões geram questionamentos que as outras pessoas decidem responder da melhor maneira possível. Da maneira mais eficiente para explicar a rejeição. Funciona, eu saio como vilão e o outro lado sai confiante, e o melhor, vivo.