Sociedade de consumo.

Como um modelo novo de celular ou laptop, que te enche os olhos agora, e que em alguns meses não vai mais valer nada – nem para ti, nem para o mercado. Como uma bolsa ou um scarpin anunciados na internet, iguais aos inúmeros outros itens dentro do teu guarda-roupa, que parecem incríveis agora, e que te fazem pagar centenas de euros de frete para esse buraco que tu moras, mas que em menos de um ano vão estar no fundo de uma gaveta mofada. Como um single novo do Guns, que parece sensacional, e que te dá ganas de ouvi-lo toda hora, todo dia, mas que tu sabes no fundo, que todos foram assim e que em semanas ele passa a ser mais uma canção. É assim que eu me vejo na tua vida. Sei que pareces excitada, que não dormes, que me ligas o tempo todo. Mas vejo nos teus olhos que sou teu brinquedo novo, a tua nova conquista, e que em breve tuas mensagens vão mudar de ‘não posso viver sem ti’ para ‘não posso’.