Superhomem.

Corre a boca solta que há um superhomem na cidade, você já deve ter ouvido falar. Ele surpreende, ele conta histórias incríveis, ele voa. Seus superpoderes estão dando o que falar, em todo o lugar, nos bares, puteiros, celulares de cartão. Ele faz mais que o esperado, ele se preocupa, ele aguenta de tudo. Esse herói realmente é especial. E eu o conheço. Um pouco.
Tenho certeza de que ele é de outro planeta, e essa certeza vem de forma impírica. Não pelo que dizem dele, mas pelo que eu vejo em volta. Ele é diferente, facto. E eu sei que não há mais habitantes vindos do planeta em que ele nasceu. Não sei se explodiu, como Kripton, mas percebo a total inadequação desse herói ao mundo em que vivemos todos. E mesmo com os puxa-sacos, com as belas mulheres e com um poder absurdo nas mãos ele não consegue se adequar. Não consegue desligar a sensibilidade dele, as vontades, os anseios e os medos. Sei que o dos quadrinhos perdia para uma pedra verde – e o nosso superhomem também tem uma fraqueza. Não, não acho que seja a tal pedra. Chama-se culpa, Kulpatonita.