The Seven Year Itch

Dizem por ai que devemos mudar a cada sete anos. Eu percebo que minhas obsessões podem, com alguma tolerância, ser divididas em períodos de 7 anos. Até os 7 anos de idade, por exemplo, eu experimentei todo tipo de comida. Obrigado, verdade, mas experimentei. Depois mudei e nunca mais pus algo na boca que eu já não tivera experimentado. Dos 7 aos 14 eu já tinha meus discos, vitrola, tudo, mas o vício era a leitura. Depois cansei e decidi viver. Aos 14 virei DJ e comecei a comprar discos como um louco. Aos 21, cds. Aos 28, dvds. Aos 35 acho que terei filhos.

O fato é que depois de sete anos eu percebo que tu não és que eu pensava que fosses. Percebo que tu és, aliás, a antítese do que eu achava. Tu não és perfeita, não és linda, não és tão inteligente. Tu não és elegante, não tens carisma, não és inovadora. Tu não transbordas ternura, não me deixas de quatro, não me causas arrepios. Tu não mereces a atenção que te dão, não valorizas o amor que recebes e não sabes a sorte que tens. Talvez tu foste isso tudo mesmo, e agora, depois de 7 anos, mudaste radicalmente como o churrasqueiro bebum que agora reza a vaca. Talvez eu esteja errado, sempre há essa possibilidade. Ou talvez depois de sete anos eu tenha mudado de obsessão, de novo.