The truck driver and his mate.

São sete e quinze da manhã e eu estou numa van apertada, indo para onde ninguém vai. Pelos cabos brancos que levam música às minhas orelhas, outrora chupadas por ti, eu ouço Massive Attack. Devagar e sempre, como o trajeto que pretendo fazer. São milhas e milhas que nenhum cartão de crédito do mundo quer que eu percorra, a estrada para as minhas loucuras, a fuga dos meus medos. Eu espero, fingindo não sentir o cheiro dos bancos surrados que me rodeiam, e passo pela paisagem que eu maldisse toda a vida. Ainda parece deserto. Sempre vai parecer sem vida. Em uma hora, eu salto no suburbio que vai ser o meu trampolim para o anonimato. Nada mais de esbarrões em supermercados de grife, nada mais de te achei n’Orkut, nada mais de se lembra de mim. Parei com isso. Sou eu, Feferéu e uma mochila pedindo carona sem sexo oral. Sou eu fugindo de tudo que me deram, e que eu nunca pedi.