Uma coca-cola e dois canudos.

Ela não sabia nem mais o que queria. Não sabia mais o que era bom. Ela sabia que não mais queria se sentir tão só. Ela sabia que não mais queria ficar a sós consigo mesma – estava enlouquecendo. Estava de pé, em um balcão na esquina de uma rua movimentadíssima de Ipanema, rascunhando em um papel o que escreveria. Vinte palavras. Só vinte. Pensou por um momento em desistir, mas logo mudou de ideia, sem jeito por já ter chegado até ali, por já ter incomodado a moça dos classificados. Não sabia se mentia, se omitia, se maquiava. Não sabia se queria sexo, se queria amor. Ela não conseguia entender como alguém que chegou onde ela chegou, profissionalmente, que viajou o mundo todo, enfim, que já teve as experiências que ela teve, não conseguia nem ao menos segurar a caneta direito. O pavor que estava sentindo em se descrever ali, em vinte palavras, era insustentável. E para um homem qualquer, que pode não ter higiene, que pode não ter caráter. Quem vai julga-la é simplesmente alguém que pode comprar um jornal. Mas ela não estava com o medo de ser julgada, se ela chegasse a ser julgada já seria um avanço. Ela deixa a caneta cair, e lacrimeja pedindo desculpas a todos que a aguardavam. Não consegue mesmo, não adianta. Ela não consegue em vinte palavras escrever quem é e que tipo de pessoa quer encontrar.