Vergonha.

Dentre todas as pessoas que eu conheço, eu sou o que menos tem vergonha. Ou medo. Não me ruborizo, não me comovo. Não me apaixono, não sofro. Não sei o que é temer, ou ter preocupações. Vivo cada noite como se fosse a última e de dia, maldigo qualquer pessoa que cruza o meu caminho. Rio dos outros por não serem tão seguros como eu sou. Eu acho patético as pessoas esconderem quem elas são realmente dos outros, porque eu nunca fiz isso. Mas a verdade é que eu sei o quão difícil é se expor, e deveria ser mais condescendente, como sou com as pobres almas que me servem o correio. Eu estrago amores com uma frase, trepo com mulheres casadas e conquisto meninas inocentes, por esporte mesmo. Muitos bebem para perder seus freios psicológicos mas eu bebo para cria-los. Eu bebo para cair antes de falar demais. Eu bebo para que no auge da minha loucura alcoólica, possa me lembrar de quem me corrompeu quando eu ainda tinha vergonha.