Victoria.

Paguei um preço muito caro para te ter no meu quarto, e me pergunto, ainda, se valeu a pena. Se está valendo. Há muito te queria, passa de um ano. Sempre te admirava, de longe, sempre tão imponente, sempre brilhante. Não só eu, mas todos sempre te desejaram – e alguns te tiveram, eu sei. Os tolos armaram estratagemas para te conquistar, viagens irresponsáveis, contatos obscuros, e-mails com ultimatos, mandados em massa pela madrugada. Mas são os poucos que tiveram a chance de te ter, como eu agora a tenho. E eu não ligo para isso, não me importa em quantos jantares tu foste o prato principal. Nunca tomei decisões pensando nos outros, não ia ser agora. Ao mesmo tempo, o desejo de todos a minha volta por ti não aumentou nem diminuiu o meu próprio. Não disputo nada, não curto competição. Fingi me orgulhar do feito para alguns amigos íntimos, mas por brincadeira. Um deles faria o impossível para te ter, e ainda assim riu das minhas bobagens. Já me disseram que tu não prestas, que há outras por ai que são mais confiáveis, e que, com a tua fama, em pouco tempo vais te queimar, e ninguém mais te quererá. Não dei ouvidos, te tenho agora, preciso de ti. Deixemos o amanhã para, quem sabe, amanhã. Ontem dormi do teu lado, e acordava toda hora com medo de que o meu comportamento agitado te causasse algum tipo de problema. Fiquei ansioso, esperei por ti por tanto tempo. E entre o dia em que te conquistei – naquele domingo quente, num shopping no subúrbio – e a tarde que tu chegaste a minha casa, eu mal pude relaxar. Nada te tirava dos meus pensamentos. Paguei um preço muito caro para te ter no meu quarto, e sinceramente, tem valido cada centavo.