When the saints go marchin’ in

Saio de lá ainda meio tenso, e meu bolso toca Touched by The Hand of God. Não bastasse a coincidência que o Allan despreza, eu ainda percebo que é uma versão neo-electro de alguns anos atrás. Minha vida é um chiste, um Punk’d onde eu sou o sacaneado, mas também o único espectador. A música muda. Eis que lembro das diretrizes e levanto os olhos. Passo na frente de um pé sujo enquanto Damon sussurra “Tender is the day the demons go away”… E, numa manobra que aprendi ontem, saio pela diagonal, sem parar de andar, para longe do boteco. Lembro do motivo disso tudo quando o ipod me ironiza falando “Tender is the ghost, the ghost I love the most” e essa é a hora em que eu bolo bonito, mas bonito mesmo. A gente acredita no que quer acreditar, mas essa não é hora de querer, mas de precisar. Eu preciso acreditar que isso tudo é verdade. ”Love’s the greatest thing” e lembro do telefone. Alguma coisa me fez abri-lo, como quem procura as horas, ou se alguem ligou – e misteriosamente, a minha lista de contatos mostra o nome dela em highlight no meio de outros com a mesma letra. I was punk’d… never knew it, but of course I was.